Homem que espancou namorada até a morte é condenado a 30 anos em Campo Grande

Edvan da Silva Rodrigues foi condenado a 30 anos e 8 meses de prisão pelo feminicídio de Bruna dos Santos Maroto, de 26 anos, morta em dezembro de 2024; sentença destacou histórico de violência contra a vítima.

Publicado em 21/10/2026 às 21:55 - da Redação, com informações do CGNews - Em Policial

Edvan da Silva Rodrigues sentado no banco dos réus.
Edvan da Silva Rodrigues sentado no banco dos réus. (Juliano Almeida/CGNews)

Edvan da Silva Rodrigues, de 45 anos, foi condenado a 30 anos e 8 meses de prisão em regime fechado pelo feminicídio de Bruna dos Santos Maroto, de 26 anos, ocorrido em 27 de dezembro de 2024, no Jardim Los Angeles, em Campo Grande. O Conselho de Sentença reconheceu o uso de meio cruel, mas afastou a agravante relacionada ao descumprimento de medida protetiva.

Durante o julgamento, Edvan negou ter cometido o crime e afirmou que estava fora do imóvel no momento da morte. A versão apresentada em plenário, no entanto, diverge do relato feito à Polícia Civil durante a investigação, quando ele admitiu ter agredido Bruna e relatou ter golpeado a cabeça dela com uma faca.

A sentença destacou o histórico de violência contra a vítima. A pena foi estabelecida em 30 anos e 8 meses de reclusão, em regime inicial fechado.

Jurados reconheceram meio cruel

O Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade de Edvan pela morte de Bruna e considerou o uso de meio cruel em razão das agressões e da asfixia da vítima. Os jurados, porém, não reconheceram a agravante referente ao descumprimento de medida protetiva de urgência.

Na dosimetria, o juiz fixou a pena-base em 23 anos de reclusão, considerando a gravidade da conduta e os episódios de violência anteriores. Na etapa final do cálculo, a pena foi aumentada em um terço em razão do meio cruel reconhecido pelos jurados, chegando a 30 anos e 8 meses.

O feminicídio é classificado como crime hediondo.

Réu apresentou versão diferente da investigação

Durante o interrogatório em plenário, Edvan afirmou que havia saído para comprar pão e salsicha e que, ao retornar cerca de 40 minutos depois, encontrou Bruna caída, sem responder aos chamados. Ele disse que procurou ajuda e tentou reanimá-la enquanto aguardava o socorro.

O réu também negou ter agredido a jovem durante o relacionamento. Questionado sobre marcas no corpo dela, atribuiu os hematomas e as cicatrizes a supostas crises epilépticas. Ele confirmou que carregava uma faca, mas alegou que utilizava o objeto no trabalho, em um depósito de reciclagem.

A versão apresentada no julgamento contrasta com as informações da investigação policial. Segundo a Polícia Civil, Edvan admitiu ter agredido Bruna durante uma discussão e relatou ter golpeado a cabeça dela com uma faca. O objeto foi encontrado com o suspeito, que acabou preso em flagrante.

Relacionamento era marcado por violência

Conforme informações divulgadas pela Polícia Civil na época do crime, havia registros de ocorrências envolvendo o casal e medidas protetivas solicitadas pela vítima.

Durante o julgamento, Edvan reconheceu que existiam medidas protetivas, mas negou ter agredido a ex-companheira. Ele afirmou que os dois haviam se separado cerca de oito meses antes da morte, embora Bruna continuasse procurando os locais onde ele morava.

A sentença também apontou que as agressões anteriores demonstravam uma escalada de violência contra a jovem, aspecto considerado na definição da pena.

Vizinhança relatava agressões frequentes

Na época do crime, uma vizinha de 57 anos relatou ao Campo Grande News que as agressões contra Bruna eram frequentes e afirmou temer que a situação terminasse em morte.

“Isso era uma tragédia anunciada. Todo mundo sabia que iria acontecer, porque ele batia muito nela”, disse a moradora, que pediu para não ser identificada.

Segundo a vizinha, Bruna vivia havia cerca de seis meses em um imóvel abandonado no Jardim Los Angeles, onde as brigas entre o casal eram constantes.

Bruna foi encontrada morta na noite de 27 de dezembro de 2024, com lesões graves na cabeça e perfurações pelo corpo. A equipe da Delegacia Especializada de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) foi acionada após testemunhas localizarem a jovem.

Edvan foi encontrado na casa de um amigo, na mesma região, e preso em flagrante. A investigação apontou que ele havia passado pelo imóvel onde morava para buscar roupas antes de ser localizado pelos policiais.