Ex-sócio de Beira-Mar que operava na fronteira de MS é executado no Sul

Ney Machado, o Pitoco, passou anos escondido na linha internacional entre Capitán Bado e Coronel Sapucaia.

Publicado em 11/01/2023 às 20:19 - CGNews - Em Policial

Ney Machado em rara foto, quando chegava para audiência em Passo Fundo, em 2005
Ney Machado em rara foto, quando chegava para audiência em Passo Fundo, em 2005 (GauchaZH)

Considerado uma lenda do tráfico de drogas, o gaúcho Ney Machado, o “Pitoco”, morreu nesta terça-feira (10) em Passo Fundo (RS), horas depois de ser baleado. Ele estava em sua frutaria quando os pistoleiros chegaram e tentou a correr, mas foi alcançado e atingido por vários tiros.

Ney Machado foi sócio do narcotraficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e entre o fim dos anos 90 e início dos anos 2000 operou na linha internacional formada por Capitán Bado (Paraguai) e Coronel Sapucaia (MS).

Ex-patrão do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) de Passo Fundo, Ney Machado abandonou a cultura rio-grandense para se tornar patrão do tráfico e se tornou o principal fornecedor de drogas no Rio Grande do Sul.

Em 1996, com prisão decretada por tráfico, “Pitoco” fugiu para o Paraguai e se refugiou na fronteira com Mato Grosso do Sul. De 1999 a 2000, ele ficou baseado em Capitán Bado, de onde operava a remessa de droga e de armas a serviço da organização de Beira-Mar.

Nessa época, o traficante carioca estava escondido na Colômbia, de onde a cocaína vinha de avião até o Paraguai e depois seguia por terra para os estados do Sul.

Depois de um tempo na fronteira, Ney Machado fugiu para a Colômbia, onde foi preso em fevereiro de 2001. Em 2005, foi extraditado para o Brasil, ficou preso até 2010 quando saiu em liberdade condicional.

Ney Machado deixou a fronteira Paraguai-MS pouco tempo antes de Fernandinho Beira-Mar mandar eliminar os irmãos Ramon e Mauro Morel, então seus sócios no comércio de drogas.

Os dois e um segurança foram executados em Capitán Bado no dia 13 de janeiro de 2001. Foragido na Colômbia, Beira-Mar deu entrevista para um jornalista do Paraguai, confessou ter mandado matar os irmãos Morel e disse que tinha grande respeito pelo pai das vítimas, o patriarca do clã, João Morel.

Uma semana depois, João Morel, que estava preso desde 2000, foi morto a facadas por colega de cela na Máxima de Campo Grande. O preso confessou ter agido sozinho, mas em 2009, Beira-Mar foi condenado a 15 anos como mandante do crime.  Atualmente, o carioca está no Presídio Federal em Campo Grande.