Esquema de perfumes árabes que movimentou R$ 300 milhões é alvo de operação em MS

Operação Perfume de Mulher cumpre mandados em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco e investiga descaminho, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Publicado em 22/09/2026 às 12:37 - do Idest, com informações do G1MS - Em Policial

Local onde um dos mandados é cumprido na capital.
Local onde um dos mandados é cumprido na capital. (Caio Tumeleiro / Reprodução)

Um esquema que, segundo as investigações, levava perfumes árabes do Paraguai para compradores de diferentes estados brasileiros é alvo da Operação Perfume de Mulher, deflagrada nesta terça-feira (22). A ação cumpre 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco, incluindo Campo Grande.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), contas ligadas aos investigados movimentaram mais de R$ 300 milhões. A Justiça Federal também determinou uma prisão e autorizou a apreensão de até R$ 100 milhões em bens e valores, incluindo criptoativos.

A investigação apura os crimes de descaminho, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A ação reúne o MPF, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e a Receita Federal.

Produtos entravam pela fronteira de Ponta Porã

Conforme a investigação, os perfumes, principalmente da linha árabe, entravam no Brasil pela fronteira de Ponta Porã com o Paraguai e eram levados inicialmente para depósitos clandestinos em Campo Grande.

Posteriormente, o grupo teria passado a utilizar também centros de distribuição em São Paulo e Pernambuco. De lá, os produtos eram enviados para diferentes estados e vendidos principalmente por meio de redes sociais, marketplaces e outras plataformas de comércio eletrônico.

Segundo o MPF, influencers também participavam da divulgação dos produtos.

Em um dos sites, o grupo se apresentava como a “maior referência em perfumaria árabe do Brasil” e afirmava contar com diversas revendas no país.

Investigação aponta uso de notas falsas e criptoativos

Para dar aparência de legalidade às operações, o grupo teria utilizado notas fiscais fraudulentas, declarações de conteúdo falsas e diferentes empresas.

As investigações também apontam indícios do uso de empresas de fachada, “laranjas” e ocultação de patrimônio.

Criptoativos teriam sido utilizados em negociações com fornecedores no exterior. As análises financeiras identificaram movimentações superiores a R$ 300 milhões em contas relacionadas aos investigados.

Mais de 20 apreensões foram relacionadas ao grupo

As apurações começaram após apreensões realizadas entre 2024 e 2026. Mais de 20 delas foram relacionadas ao grupo.

Em outubro de 2025, uma dessas ações resultou na retenção de aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente.

Operação mobiliza 130 agentes

Ao todo, participam da operação 50 servidores da Receita Federal, 50 integrantes do MPF e 30 do MPMS.

Segundo os órgãos, esta é a primeira ação em Mato Grosso do Sul com participação simultânea da Receita Federal e dos Gaecos dos Ministérios Públicos Federal e estadual.