Delegado alvo da Operação Infiltrados se apresenta na Corregedoria da Polícia Civil em Campo Grande

Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa era procurado após não ser localizado em casa durante cumprimento de mandado de prisão nesta quinta-feira (24).

Publicado em 24/09/2026 às 21:56 - do Idest, com informações do CGNews - Em Policial

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(Divulgação Adepol MS)

O delegado da Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, alvo da Operação Infiltrados, se apresentou na tarde desta quinta-feira (24) na Corregedoria da Polícia Civil, em Campo Grande. A operação, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), investiga um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança pública e posterior repasse a traficantes.

Hoffman não havia sido localizado durante o cumprimento do mandado de prisão em sua residência, no bairro Carandá Bosque. Durante a manhã, a defesa havia negado que o delegado estivesse foragido e afirmado que ele se apresentaria caso fosse confirmada a necessidade de cumprimento da medida.

Investigação apura desvio de drogas

Segundo o MPMS, a Operação Infiltrados cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Até a divulgação das primeiras informações da operação, haviam sido cumpridas prisões preventivas contra nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.

As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de elementos obtidos durante as operações Traquetos e Blindspot, também realizadas pelo Gaeco.

Conforme o Ministério Público, os investigados teriam utilizado o acesso proporcionado pelos cargos públicos para desviar drogas apreendidas em ocorrências policiais. O esquema investigado envolveria tanto a omissão de parte dos entorpecentes nos registros formais quanto a retirada de drogas diretamente de depósitos de delegacias.

Ainda segundo o MPMS, os entorpecentes desviados, principalmente cocaína, seriam posteriormente repassados a traficantes ligados ao grupo investigado, que os recolocariam no mercado ilegal.

Delegado não foi encontrado durante buscas

Durante o cumprimento dos mandados nesta quinta-feira, equipes do Gaeco foram até a residência de Hoffman, mas ele não estava no imóvel. Segundo informações divulgadas durante a manhã, os investigadores também buscaram imagens de câmeras de segurança da região para verificar quando o delegado havia deixado a residência.

O advogado Amilton Ferreira de Almeida, que representa Hoffman, afirmou durante a manhã que não havia recebido informações sobre eventual mandado de prisão e negou que o delegado estivesse foragido. Segundo o defensor, caso fosse confirmada a necessidade de prisão, Hoffman se apresentaria às autoridades.

A apresentação ocorreu na tarde desta quinta-feira na Corregedoria da Polícia Civil.

Prisões e defesas

Entre os presos na operação estão policiais civis, policiais militares, um policial penal e outros investigados. Também há um ex-policial civil entre os alvos da investigação.

As defesas de alguns dos investigados afirmaram que ainda não tiveram acesso à íntegra dos autos, que tramitam sob sigilo. O advogado Henrique Cordeiro Spontoni, que representa o investigador Nelson Ricardo Barros de Oliveira, informou que a defesa solicitou acesso ao processo para verificar os elementos que fundamentaram a prisão.

A defesa de outros investigados também informou que aguarda acesso aos autos para conhecer individualmente as acusações e os elementos reunidos durante a investigação.

Como a apuração tramita sob sigilo, os detalhes individualizados das suspeitas atribuídas a cada investigado ainda não foram divulgados integralmente.