Mulher atropelada pelo marido na BR-463 passa a ser considerada 27ª vítima de feminicídio em MS

Caso ocorreu em agosto, em Ponta Porã, e inicialmente havia sido registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor.

Publicado em 17/09/2026 às 16:03 - do Idest, com informações do Correio do Estado - Em Policial

Wandete Góis da Silva é a 27ª vítima de feminicídio em MS.
Wandete Góis da Silva é a 27ª vítima de feminicídio em MS. (Divulgação)

A morte de Wandete Góis da Silva, de 58 anos, atropelada na noite de 2 de agosto na BR-463, em Ponta Porã, passou a ser contabilizada como feminicídio em Mato Grosso do Sul. Inicialmente, o caso havia sido registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, tendo o marido da vítima como principal suspeito.

Segundo a Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Ponta Porã, a mudança na tipificação ocorreu após novas análises de imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas. Com a reclassificação, o Estado passou a contabilizar 27 feminicídios em 2026, sendo oito registrados somente em agosto.

Atropelamento na BR-463

Wandete morreu após ser atropelada por um caminhão na altura do km 102 da BR-463, na região do trevo de Sanga Puitã, em Ponta Porã.

Durante a perícia realizada no local, foi encontrado próximo ao corpo um fragmento de plástico que aparentava fazer parte do para-lama de um veículo.

Diante da suspeita de que a peça pudesse pertencer ao caminhão conduzido pelo marido da vítima, policiais civis foram até a residência do casal. O veículo estava estacionado na rua e os policiais constataram que o para-lama apresentava danos justamente na região correspondente ao fragmento encontrado na rodovia.

A perícia foi novamente acionada e, após análise técnica, confirmou que a peça recolhida na cena pertencia ao caminhão envolvido no atropelamento.

Investigação mudou tipificação

O marido, de 49 anos, apresentou-se na delegacia acompanhado de advogados e foi preso em flagrante. O caso, naquele momento, era tratado como homicídio culposo na direção de veículo automotor.

Testemunhas relataram à polícia que o homem havia ingerido bebida alcoólica antes do atropelamento, durante um encontro de caminhoneiros realizado nas proximidades.

Posteriormente, a análise de imagens de monitoramento e os depoimentos reunidos durante a investigação levaram à alteração da tipificação para feminicídio. A investigação permanece sob sigilo para não prejudicar as diligências ainda em andamento.