Bolívia lança plano com a Polícia Federal para combater PCC e Comando Vermelho nas fronteiras com o Brasil
Ações foram lançadas em Guayaramerín e terão foco em áreas consideradas críticas pelo governo boliviano.

O governo da Bolívia lançou, em parceria com a Polícia Federal (PF) brasileira, o Plano Fronteira Segura para combater a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC), do Comando Vermelho (CV) e de grupos criminosos bolivianos nas regiões de fronteira. A estratégia prevê operações por tempo indeterminado em áreas consideradas de maior risco. O lançamento ocorreu na quinta-feira (13), em Guayaramerín, cidade boliviana que faz fronteira com Guajará-Mirim.
De acordo com o Ministério do Governo da Bolívia, os pontos críticos identificados são Cobija e Brasiléia, Guayaramerín e Guajará-Mirim, Puerto Suárez e Corumbá, e San Matías e Cáceres. Apesar de a apresentação ter ocorrido na região Norte, o plano também abrange áreas de fronteira com Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
Operações terão duração indeterminada
O presidente boliviano, Rodrigo Paz, afirmou que os operativos serão mantidos de forma permanente nas faixas de fronteira consideradas mais vulneráveis à atuação de facções criminosas.
“Lançamos o Plano Fronteiras Seguras com empenho permanente da polícia boliviana em cinco pontos fronteiriços para desarticular o crime organizado transnacional, porque um país seguro é um país onde bolivianos investem em seu próprio território”, declarou.
O comandante-geral da polícia boliviana, Mirko Sokol, disse que as ações ostensivas têm o objetivo de dificultar a entrada e a expansão de organizações criminosas nas cidades. “Estamos atacando estas organizações criminosas no lugar onde elas estão pretendendo atuar. E isso acontece principalmente nas fronteiras. São nesses locais que temos que evitar o ingresso de grupos criminosos e tentar evitar que cheguem nas cidades. Eles geram violência, mortes”, afirmou.
Autoridades brasileiras participam do lançamento
As autoridades brasileiras não fizeram manifestação pública sobre o plano, o que foi atribuído ao período de defeso eleitoral. Participaram do lançamento o ministro de Segurança e Justiça Pública, Wellington Lima e Silva, e o diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues.
Mais de 300 policiais bolivianos especializados deverão atuar no Departamento de Santa Cruz, que abrange as fronteiras com Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
Conflitos recentes reforçam preocupação
Em San Matías, na divisa com Cáceres, há um conflito em andamento. O subtenente da polícia boliviana Yerson Salazar Aliendres morreu em 30 de julho após uma emboscada.
Em Corumbá, também em julho, um atentado relacionado ao PCC resultou na morte do soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva. O ataque teve como alvo um homem que morava em Ladário, e policiais militares foram atingidos por disparos quando tentavam prender os suspeitos.
Segundo o governo boliviano, todos os criminosos envolvidos, a maioria brasileiros, morreram durante a resposta policial. Dois bolivianos também morreram, em Corumbá.
Bolívia divulga apreensões e expulsões
O governo boliviano informou que as operações conjuntas e o combate ao crime organizado nas fronteiras levaram à expulsão de 17 pessoas apontadas como integrantes ou líderes de organizações criminosas, entre elas membros do PCC e do CV.
Nos últimos oito meses, também foram apreendidas 58 aeronaves, 370 imóveis e 573 veículos. As forças de segurança destruíram ainda dez pistas clandestinas e apreenderam 283 toneladas de drogas.
“A Bolívia não será terra livre para as máfias. Não há espaço para respostas frágeis, dispersas ou meramente declarativas. Os narcotraficantes não são atores sociais, nem interlocutores políticos. São organizações criminais que destroem famílias, financiam violência, capturam territórios, corrompem instituições, tomam fronteiras e ameaçam a democracia”, declarou o ministro boliviano da Defesa, Ernesto Justiniano.
Cooperação internacional
A Bolívia também mantém cooperação com os Estados Unidos. Neste mês, representantes do governo boliviano se reuniram com o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, e com o general Francis L. Donovan, do Comando do Sul, unidade do Exército dos Estados Unidos que atua na América Latina.
