Warning: getimagesize(https://idest.com.br/images/noticias/2008/08/capa_9461.jpg): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 404 Not Found in /dados/www/html/paginas/noticias.php on line 88
CDDH entra em defesa de mulher que acorrentou filhos | Variedade | Idest

CDDH entra em defesa de mulher que acorrentou filhos

Null

22/08/2008 às 09:30 | Midiamax

“Não me importo de morrer na cadeia. Não estou vivendo, estou vegetando. Se conseguirem fazer dos meus filhos homens de verdade, eu vou ser feliz. Como vou viver desse jeito que estou hoje?”. A frase, dita com lágrimas escorrendo pelo rosto, é da empregada doméstica Luciene Martins Calixto, que numa atitude de desespero chegou a manter acorrentados os filhos de 14 e 16, que são dependentes de drogas. “A única coisa que eu quero é ajuda para os meus filhos. Deus não deu os filhos para isso”, diz.

Na manhã desta sexta-feira, Luciene recebeu a visita na casa dela, no Jardim Columbia, em Campo Grande, de uma equipe do CDDH (Centro de Defesa dos Direitos Humanos) Marçal de Souza Tupã-I. A entidade irá exigir do município o pagamento do tratamento dos adolescentes em uma clínica particular, já que em Campo Grande não existe nenhuma entidade pública de tratamento contra dependência que aceite crianças e adolescentes.

“Entendemos que a responsabilidade é do Poder Público, do município e do Estado. Vamos primeiro solicitar politicamente e se não der resultado entraremos com uma ação”, afirmou o presidente do CDDH, Paulo Ângelo de Souza. A entidade também colocou o setor jurídico dela à disposição de Luciene. “Ela cometeu um ato de desespero. É uma infração o que ela fez, mas entendemos como um ato extremo e vamos dar o apoio jurídico e cobrar a imediata internação dos adolescentes”, disse.

Luciene conta que os filhos são dependentes desde 2006. E que resolveu impedir a saída dos garotos de casa para que eles não fossem mortos. “Um rapaz veio ameaçar meu filho de morte, cobrando uma bicicleta que ele pegou emprestada. A bicicleta foi devolvida, mas ele cobrou uma dívida de R$ 70. Eu disse que pagaria assim que recebesse o salário e ele me afirmou que até lá meu filho já estaria morto”, disse.

Para comprar drogas, os adolescentes chegaram a vender todas as roupas e as panelas de casa. “Eu compro roupa, tênis e eles vendem. Tive que pegar roupas emprestadas porque eles não tinham o que usar. Já venderam tudo. Cheguei em casa e não tinha uma panela para cozinhar”, afirmou. “Ninguém oferece prato de comida, mas droga e bebida todo mundo dá”, acrescenta.

Desde que descobriu a dependência dos filhos, ela busca ajuda. Mesmo com um salário de R$ 430, Luciene chegou a internar o filho mais velho na clínica particular Vida Plena, graças a ajuda de um deputado estadual. Mas o adolescente não foi mais aceito naquele estabelecimento depois de fugir do local.

A mãe colocou correntes nas pernas dos adolescentes e trancou a porta da frente da casa. Segundo a mãe, as correntes não estavam presas a nenhum objeto e tinham o objetivo de constranger o adolescente a não tentar fugir de casa. “Eu coloquei a corrente, mas ele tinha acesso a casa inteira. Ela estava presa somente em uma ponta, nos pés dele. Era para ele ficar com vergonha”, diz. “Eu não queria meu filho na rua para estar morto”, acrescenta.

Agora, Luciene corre o risco de perder o emprego, já que desde segunda-feira não pode ir trabalhar, com o temor dos filhos irem para alguma boca-de-fumo. Ela já perdeu outros trabalhos pelo mesmo problema. Hoje, os adolescentes não estão mais acorrentados, mas permanecem trancados em casa.

Carregando comentários...
Notícias
Variedade