Ex-prefeito acusado de corrupção deixará cadeia com tornozeleira

Maurílio Azambuja negou envolvimento no esquema que desviou mais de R$ 23 milhões dos cofres de Maracaju.

28/09/2021 às 16:52 | Campo Grande News, Mirian Machado

Maurílio Azambuja (MDB) ex-prefeito de Maracaju, acusado de participar do esquema que desviou mais de R$ 23 milhões dos cofres públicos do município, teve a prisão temporária convertida em preventiva com cumprimento domiciliar nesta terça-feira (28), com o uso de tornozeleira.

O pedido da conversão da prisão para preventiva foi feito pela delegada Ana Cláudia Medina, do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco). A Justiça acatou o pedido, porém, decidiu que o cumprimento fosse menos rigoroso.

Segundo o advogado, Rodrigo Dalpiaz, a decisão de cumprir a prisão em casa ocorreu pelo cliente ser idoso e acometido de comorbidades. "Podendo ter contato apenas com familiares e comigo", informou.

"Faremos declarações acerca das acusações quando se iniciar a tramitação da ação penal porque estará delimitada a imputação ele atribuída", disse, Dalpiaz.

O ex-chefe do Executivo de Maracaju foi preso na noite de sexta-feira (24), após passar dois dias foragido da polícia. Ele foi alvo da Operação Dark Money, que começou na quarta-feira, dia 22 de setembro, e levou outras sete pessoas para a cadeia por envolvimento no crime.

Segundo apurado, o ex prefeito passou a manhã de segunda-feira (27) depondo na sede do Dracco, onde negou as acusações. Ele disse que “deu autonomia” aos secretários e pensava que os cheques assinados por ele eram enviados para uma conta reserva, destinada ao pagamento dos funcionários.

Ainda em depoimento, Azambuja disse que sabia da existência da conta e chegou a assinar alguns cheques, mas acreditava que os valores seriam destinados a uma reserva financeira para pagar folha e fornecedores. Segundo ele, deu autonomia a três funcionários para fazer pagamentos abaixo de R$ 100 mil, que confiava neles e, por isso, apenas conferia valores e assinava cheques sem questionar o destino. Eram eles o ex-secretário de Fazenda e Administração Lenilso Carvalho Antunes, a ex-diretora do Departamento de Tesouraria Diana Cristina Kuhn e o técnico em edificações e integrante da Comissão Permanente de Licitações do município, Edmilson Alves Fernandes.

À polícia, Maurílio garantiu que não controlava a equipe, não cuidava a aplicação das verbas, sempre assegurou a liberdade dos assessores e só agora, com a operação policial, descobriu as irregularidades, mesmo sendo ele o responsável por abrir a conta paralela, que nunca foi informada aos órgãos oficiais.

A versão do ex-prefeito, no entanto, não convence a polícia que agora segue em busca de novos envolvidos no esquema e também procura o ressarcimento do dinheiro desviado do município.

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