Pesquisa aponta que 20,4% dos estudantes já fizeram apostas online no Brasil
Levantamento ouviu 1.912 alunos de 191 escolas e estima perdas superiores a R$ 1 bilhão entre os estudantes pesquisados.

Um em cada cinco estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, ou 20,4% dos entrevistados, afirma já ter feito apostas online. O levantamento também aponta que 9,5% dos alunos de até 11 anos já apostaram, apesar de o acesso de menores de idade às plataformas ser proibido no Brasil. A pesquisa foi divulgada pela Frente Parlamentar Mista da Educação (FPME) nesta quarta-feira (9).
Realizado em parceria com a Equidade.info, o estudo ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de todo o país. A proporção de alunos que já apostaram chega a quase metade entre os pesquisados do 3º ano do ensino médio.
Meninos relatam mais apostas
O levantamento indica que os meninos apostam mais do que as meninas. Entre elas, o percentual informado foi de 12,6%.
No ensino médio, 41,7% dos meninos disseram já ter apostado. O índice é mais que o dobro do registrado entre os estudantes do ensino fundamental II. As entrevistas foram realizadas presencialmente, com questionários estruturados, nos meses de agosto e setembro.
Pesquisador critica foco apenas no comportamento individual
Ao divulgar os resultados, a FPME apresentou considerações do coordenador da pesquisa, Guilherme Lichand. Segundo ele, soluções baseadas exclusivamente no comportamento individual dos usuários podem ser insuficientes para enfrentar o problema.
Lichand afirmou que há uma tendência de responsabilizar as pessoas e citou como exemplo os lembretes sobre perdas passadas sugeridos pelas plataformas. De acordo com o pesquisador, estudos científicos indicam que esse tipo de intervenção não funciona.
“Em vez disso, a proibição de propaganda e impostos relevantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a responsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição”, afirmou.
Pesquisa recomenda restrições à publicidade
Para Lichand, os dados também mostram que a educação financeira não tem sido suficiente para prevenir a exposição às bets. O levantamento aponta que estudantes de escolas com maior proporção de alunos com letramento financeiro têm maior probabilidade de apostar e menor controle sobre ganhos e perdas.
A pesquisa estima que as perdas agregadas podem ultrapassar R$ 1 bilhão entre o público pesquisado. Entre as recomendações dos organizadores estão o aumento da tributação sobre transações nas plataformas, restrições à publicidade e medidas de proteção específicas para menores de 18 anos.
