Mais de 54% dos graduandos já interromperam os estudos para cuidar dos filhos, aponta levantamento do MEC
Pesquisa com mais de 7,4 mil participantes também identificou vulnerabilidade social, renda baixa e falta de rede de apoio.

Mais de 54% das alunas e dos alunos de graduação já precisaram trancar a matrícula ou desistir do curso para cuidar dos filhos, segundo levantamento de um grupo de trabalho vinculado ao Ministério da Educação (MEC). Na pós-graduação, o índice é de 36,4%, de acordo com os dados divulgados nesta terça-feira, 14 de julho.
Perfil dos estudantes
O estudo ouviu mais de 7,4 mil pessoas e mostra que a maior parte dos participantes da graduação é formada por mães que buscam concluir o ensino superior. Nesse grupo, a média de idade é de 33 anos, e a rotina de estudos ocorre, em geral, de forma presencial e no período noturno.
Entre os graduandos, predominam pessoas solteiras, negras, vinculadas a instituições públicas federais, com um filho, que vivem com outras três pessoas e têm renda de até um salário-mínimo.
Alimentação e renda
A segurança alimentar dos filhos é apontada como uma das principais preocupações do grupo de trabalho. Segundo o levantamento, mais da metade dos estudantes de graduação e de pós-graduação com filhos afirma que as crianças não têm direito à alimentação nos restaurantes universitários (RUs).
Entre os que têm acesso, apenas 7,1% na graduação e 2,9% na pós-graduação informaram que a refeição é gratuita. O pagamento pelo serviço aparece em 10,7% dos casos na graduação e em 9,2% na pós-graduação. O estudo também registra que uma parcela significativa dos estudantes não sabe se os filhos têm direito ao benefício.
Os dados sobre renda reforçam a vulnerabilidade social. Entre os estudantes, 16,1% disseram viver sem nenhum rendimento, 14,5% recebem até meio salário-mínimo e apenas 2,5% informaram renda acima de 10 salários-mínimos.
Rede de apoio limitada
O apoio pessoal é o mais citado pelos participantes, sendo mencionado por 43,3%. Para 32,9%, porém, a rotina é solitária, sem suporte de outras pessoas no cuidado diário com os filhos.
Na graduação, apenas 5,9% disseram ter condições de contratar serviços como babás. Outros 7,5% recorrem a serviços públicos, e menos de 1% conta com apoio de organizações não governamentais e projetos comunitários.
Diferenças na pós-graduação
Entre os estudantes de especialização, mestrado e doutorado, o perfil econômico é mais favorável do que na graduação. Nesse grupo, 3,3% não têm renda, 4,8% vivem com até um salário-mínimo e apenas 1,1% sustentam a família com até meio salário-mínimo.
Mais de um terço dos pós-graduandos vive com até cinco salários-mínimos. Outros 23,1% têm renda entre cinco e dez salários-mínimos, e 13% recebem acima de dez salários-mínimos. No grupo, a maioria se declara branca, seguida por 42,1% de pessoas negras, além de indígenas e amarelas em proporções menores.
