Saques superam depósitos e poupança perde R$ 10,5 bilhões em agosto, informa Banco Central

Em agosto, depósitos somaram R$ 357,7 bilhões, enquanto saques chegaram a R$ 368,2 bilhões; saldo da caderneta passa de R$ 1 trilhão.

Publicado em 10/09/2026 às 18:54 - do Idest - Em Economia

Imagem da notícia
(Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Os brasileiros retiraram R$ 10,5 bilhões a mais do que depositaram na caderneta de poupança em agosto, segundo relatório divulgado pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira (10). No mês, os depósitos somaram R$ 357,7 bilhões, enquanto os saques chegaram a R$ 368,2 bilhões. O resultado representa o terceiro mês consecutivo de retiradas líquidas, em 2026, e foi registrado em 10 de setembro.

Os rendimentos creditados nas contas de poupança totalizaram R$ 6,5 bilhões em agosto. O saldo da aplicação está pouco acima de R$ 1 trilhão. Neste ano, apenas em maio os depósitos superaram os saques.

Retiradas acumuladas no ano

Até agosto, a poupança acumula R$ 57,1 bilhões em retiradas líquidas. Nos últimos anos, a caderneta também registrou mais saques do que depósitos: foram R$ 87,8 bilhões em retiradas líquidas em 2023 e R$ 15,5 bilhões em 2024.

No ano passado, o saldo negativo chegou a R$ 85,6 bilhões.

Juros altos favorecem outras aplicações

Entre as razões para os saques está a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em nível elevado. Esse cenário estimula a aplicação de recursos em investimentos com melhor desempenho. Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, a taxa está em 14% ao ano.

De junho de 2025 a março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a reduzir os juros na reunião de março, em um cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e alimentos, dificulta a redução da taxa.

Inflação e meta de preços

A Selic é o principal instrumento do BC para buscar o cumprimento da meta de 3% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país. Quando o Copom aumenta a taxa básica, a medida busca conter a demanda, encarecendo o crédito e estimulando a poupança.

Em julho, os alimentos ficaram mais baratos e contribuíram para a desaceleração da inflação oficial pelo quarto mês consecutivo. O índice fechou o mês em 0,07%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o IPCA acumulou alta de 4,44% em 12 meses e voltou para a margem de tolerância da meta.

A inflação de agosto será divulgada pelo IBGE na próxima sexta-feira.