Salário mínimo projetado para 2027 sobe a R$ 1.741, com alta de 7,4%

Estimativa será incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual, mas valor definitivo só será conhecido em dezembro, após o INPC de novembro.

Publicado em 25/08/2026 às 10:51 - do Idest - Em Economia

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(Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O salário mínimo deverá subir de R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027, segundo estimativa apresentada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. O reajuste de R$ 120, equivalente a 7,4%, será incluído no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que o governo enviará ao Congresso Nacional até 31 de agosto. A projeção foi divulgada nesta segunda-feira (24).

Valor ainda depende da inflação

Os R$ 1.741 ainda não são o valor definitivo. O novo piso será calculado no fim de 2026, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro. O índice mede a inflação de famílias com renda de até oito salários mínimos.

Pela regra atual, o reajuste combina a inflação medida pelo INPC com um ganho real de 2,5%, dentro dos limites estabelecidos pela legislação. Por isso, uma inflação diferente da estimada pelo governo poderá alterar o valor final. A projeção atual representa aumento real da renda para quem recebe o piso, desde que a inflação efetiva fique dentro das estimativas usadas no cálculo.

Reajuste afeta benefícios e despesas públicas

A alta do salário mínimo tem impacto direto nas contas públicas porque o piso é referência para benefícios previdenciários e assistenciais. Cerca de 45% dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) estão vinculados ao salário mínimo.

Entre os pagamentos afetados estão aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o seguro-desemprego e o abono salarial. A contribuição previdenciária dos microempreendedores individuais também é influenciada pelo piso.

“Cumprindo a legislação brasileira, dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai também para a Previdência e para os benefícios sociais que têm indexação no salário mínimo”, afirmou Durigan.

Ganho de renda pode estimular consumo

O aumento do piso também pode estimular o consumo, principalmente entre as famílias de menor renda, que tendem a destinar uma parcela maior dos recursos para despesas básicas. Por outro lado, o impacto fiscal reduz o espaço do governo para ampliar outras despesas.

Segundo o ministro, o Orçamento de 2027 será elaborado considerando esse cenário. Durigan afirmou que o governo pretende manter o ganho real previsto para o salário mínimo e controlar o crescimento de outros gastos obrigatórios.

“Para o ano que vem, a gente projeta o aumento das obrigatórias um pouco inferior ao aumento geral do orçamento. As medidas têm o condão de dar racionalidade, de que modo que a regra com ganho real do arcabouço fiscal vai ter um ganho real maior do que as obrigatórias amplamente consideradas”, argumentou.

Proposta será analisada pelo Congresso

O PLOA de 2027 será encaminhado ao Congresso Nacional até 31 de agosto e ainda passará pela análise dos parlamentares. O valor definitivo do salário mínimo será conhecido em dezembro, quando for divulgado o INPC de novembro.

Se a projeção de R$ 1.741 for confirmada, o novo piso entrará em vigor em janeiro de 2027. Para o governo, a mudança terá efeitos simultâneos sobre a renda dos trabalhadores e beneficiários e sobre as despesas públicas.