Mercado financeiro eleva projeção da Selic para 13,75% ao ano e inflação para 5,3% em 2026
Boletim Focus também revisou para cima a estimativa de crescimento do PIB e manteve projeções de juros menores para os próximos anos.

O mercado financeiro elevou pela segunda semana seguida a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, que passou de 13,5% para 13,75% ao ano no fim de 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC), em Brasília.
Inflação volta a subir
A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação, subiu de 5,11% para 5,3% neste ano. É a 14ª alta consecutiva da projeção e o índice segue acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%.
Em maio, a inflação oficial ficou em 0,58%, pressionada pelos preços dos alimentos. No acumulado de 12 meses, o IPCA chegou a 4,72%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Decisão do Copom nesta semana
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta terça e quarta-feira para decidir sobre a Selic. A expectativa do mercado é de manutenção da taxa em 14,5% ao ano nesta reunião.
Na reunião anterior, em abril, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, pela segunda vez seguida. Entre junho de 2025 e março deste ano, a taxa ficou em 15% ao ano.
Juros, inflação e atividade econômica
A Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Quando a taxa sobe, o crédito tende a ficar mais caro e o consumo perde ritmo; quando cai, o acesso ao crédito costuma ser facilitado, com efeito sobre a atividade econômica e a inflação.
Além da taxa básica, os bancos consideram fatores como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas ao definir os juros cobrados dos consumidores.
PIB e câmbio
O boletim também apontou alta na projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,91% para 1,96%. Para 2027, a estimativa segue em 1,7%, e para 2028 e 2029 o mercado prevê expansão de 2%.
Para o câmbio, a previsão para o dólar ao fim deste ano continua em R$ 5,20. No fim de 2027, a estimativa é de R$ 5,25.
Para 2027, a projeção de inflação passou de 4,03% para 4,1%. Em 2028 e 2029, as expectativas são de 3,68% e 3,5%, respectivamente.
