Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,65 bilhões em julho, segundo dados do Banco Central

Do total disponível, R$ 4,25 bilhões pertencem a pessoas físicas e R$ 1,40 bilhão pode ser resgatado por empresas.

Publicado em 08/09/2026 às 21:43 - do Idest - Em Economia

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( Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras chegou a R$ 5,65 bilhões em julho, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (8). O valor é superior aos R$ 5,12 bilhões registrados em junho e pode ser consultado gratuitamente no Sistema de Valores a Receber (SVR).

Do total disponível, R$ 4,25 bilhões pertencem a 23,57 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,40 bilhão podem ser resgatados por aproximadamente 2,19 milhões de empresas.

Maioria tem valores baixos para resgatar

Apesar do volume total, a maior parte dos beneficiários tem quantias relativamente pequenas a receber. Segundo o BC:

  • 69,45% têm entre R$ 0,01 e R$ 10;
  • 18,97% têm entre R$ 10,01 e R$ 100;
  • 9,35% têm entre R$ 100,01 e R$ 1 mil;
  • 2,22% têm mais de R$ 1 mil.

Os valores podem ter diferentes origens, como contas encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, recursos de consórcios encerrados e cotas de cooperativas de crédito.

Bancos concentram maior parte do dinheiro

Os bancos concentram a maior parcela dos recursos ainda disponíveis, seguidos por administradoras de consórcios e cooperativas. A distribuição é a seguinte:

  • Bancos: R$ 2,38 bilhões;
  • Administradoras de consórcio: R$ 1,96 bilhão;
  • Cooperativas: R$ 762,7 milhões;
  • Instituições de pagamento: R$ 353,4 milhões;
  • Financeiras: R$ 114,6 milhões;
  • Corretoras e distribuidoras: R$ 69,4 milhões;
  • Outras instituições: R$ 4,5 milhões.

Mais de R$ 16 bilhões já foram devolvidos

Desde a criação do SVR, o BC já devolveu mais de R$ 16 bilhões aos titulares. Até julho, cerca de R$ 11,9 bilhões haviam sido destinados a pessoas físicas e aproximadamente R$ 4,2 bilhões, a empresas.

Somados os valores devolvidos ao estoque ainda disponível, o sistema identificou cerca de R$ 21,8 bilhões em recursos a receber. Em julho, aproximadamente R$ 323 milhões foram resgatados.

Recursos foram usados em programas de renegociação

Parte dos valores disponíveis no sistema foi utilizada pelo governo federal em programas de renegociação de dívidas. Recursos cujos direitos foram repassados à União foram destinados ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), usado para viabilizar garantias em programas como o Desenrola.

A movimentação contribuiu para a redução do estoque disponível nos meses anteriores. Em julho, porém, o montante voltou a subir.

Como consultar e solicitar o resgate

A consulta é gratuita e deve ser feita no SVR. Na etapa inicial, pessoas físicas informam o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e a data de nascimento. Empresas devem utilizar o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e os dados solicitados pelo sistema.

Se houver valores disponíveis, é necessário acessar o sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro. O usuário deve ler e aceitar o termo de responsabilidade, conferir o valor e a instituição responsável pela devolução e solicitar o pagamento conforme as opções apresentadas.

Quando a opção “Solicitar por aqui” estiver disponível, o dinheiro poderá ser devolvido por Pix. Quem não tiver Pix ou não puder utilizar a modalidade deverá entrar em contato diretamente com a instituição financeira indicada.

Resgate automático

Desde maio de 2025, pessoas físicas podem habilitar o pedido automático de devolução. A adesão é facultativa e exige conta Gov.br de nível prata ou ouro, verificação em duas etapas ativada e uma chave Pix vinculada ao CPF.

Com a função habilitada, os valores elegíveis são depositados automaticamente na conta cadastrada, sem a necessidade de uma nova solicitação a cada recurso identificado.

BC alerta para golpes

O BC informa que o serviço é gratuito e que a consulta deve ser feita exclusivamente pelos canais oficiais. A instituição não envia links nem entra em contato para solicitar dados pessoais ou senhas relacionados aos valores a receber. Também não é necessário fazer pagamentos para liberar o dinheiro.

Entre as recomendações estão não clicar em links recebidos por SMS, WhatsApp, Telegram ou e-mail; não fornecer senhas ou códigos de autenticação; não pagar taxas; conferir diretamente no SVR a instituição responsável; e utilizar somente os canais oficiais do BC.

O sistema também permite consultar valores de pessoas falecidas. Nesse caso, o acesso é restrito a herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, que precisam cumprir as exigências previstas pelo sistema.