Copom decide corte ou manutenção da Selic nesta quarta-feira
Boletim Focus projeta redução da Selic de 13,75% para 13,5% ao ano, mas prevê manutenção da taxa na reunião de dezembro.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decide nesta quarta-feira se reduz ou mantém a Taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano. Analistas consultados pelo boletim Focus esperam a sexta redução consecutiva, para 13,5% ao ano, em meio à pressão do câmbio, do petróleo, dos gastos públicos e dos alimentos sobre a inflação. O anúncio será feito no início da noite.
Mercado prevê manutenção em dezembro
A reunião é a penúltima do ano. Diferentemente das pesquisas anteriores, que projetavam mais um corte em dezembro, os analistas agora esperam que a Selic seja mantida em 13,5% ao ano no próximo mês.
A taxa ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos, entre junho de 2025 e março deste ano.
Copom está desfalcado
O Copom realiza a reunião sem dois diretores. Os mandatos de Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro, e de Diego Guillen, ex-diretor de Política Econômica, terminaram no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não encaminhou ao Congresso Nacional as indicações para os substitutos.
Na ata da reunião de setembro, o Copom reafirmou a cautela na condução da política monetária diante da pressão da demanda sobre a inflação. O documento, no entanto, foi divulgado antes dos efeitos da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o mercado financeiro.
Inflação permanece acima do teto da meta
Além da instabilidade no câmbio, a inflação sofre pressão do petróleo e do aumento dos gastos públicos sobre os preços. O fenômeno El Niño também deve pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses.
Apesar de um repique em setembro, a inflação recuou em outubro. A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), caiu pela metade e ficou em 0,32% no mês passado. No acumulado de 12 meses, porém, o índice subiu de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o IPCA cheio de setembro no dia 12. Segundo o último boletim Focus, a estimativa de inflação para este ano subiu de 5,19% para 5,22%. A projeção está acima do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Como funciona a Selic
A Selic é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. A taxa é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.
O Banco Central atua diariamente por meio de operações de mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos federais, para manter os juros próximos do valor definido pelo Copom. Quando a taxa sobe, a intenção é conter a demanda aquecida. Os juros mais altos encarecem o crédito, estimulam a poupança e podem dificultar a expansão da economia.
Além da Selic, os bancos consideram fatores como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas ao definir os juros cobrados dos consumidores. Quando a taxa básica cai, a tendência é de redução do custo do crédito, com incentivo à produção e ao consumo e estímulo à atividade econômica.
Reuniões ocorrem a cada 45 dias
O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial, além do comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os integrantes da diretoria do Banco Central analisam as possibilidades e definem a Selic.
Meta contínua de inflação
Desde janeiro de 2025, está em vigor o sistema de meta contínua. A meta definida pelo CMN e perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O limite inferior é de 1,5%, e o superior, de 4,5%.
No modelo de meta contínua, a inflação é apurada mês a mês, considerando o acumulado em 12 meses. Em novembro deste ano, a inflação desde dezembro de 2025 será comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em dezembro, o procedimento se repetirá, com apuração a partir de janeiro do mesmo ano.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve em 5,2% a previsão para o IPCA deste ano. A estimativa pode ser revista caso a alta do dólar persista. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no fim de dezembro.
