Mercado reduz projeção da inflação para 2026 e mantém expectativa de queda da taxa Selic

Boletim Focus aponta nova redução na previsão do IPCA para 5,15%, enquanto estimativas para PIB, dólar e juros permanecem estáveis

Publicado em 20/07/2026 às 13:51 - do Idest - Em Economia

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(Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

As expectativas do mercado financeiro para a inflação em 2026 voltaram a recuar. Segundo o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central (BC), a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,16% para 5,15%. Há quatro semanas, a estimativa era de 5,33%.

Inflação segue em trajetória de queda

De acordo com o levantamento, o mercado mantém a expectativa de desaceleração da inflação nos próximos anos. Para 2027, a projeção para o IPCA é de 4,20%, enquanto para 2028 a expectativa é de 3,78%.

A redução na estimativa para 2026 dá continuidade à trajetória de queda observada nas últimas semanas.

PIB e dólar permanecem estáveis

As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) permaneceram inalteradas pela terceira semana consecutiva. A expectativa é de crescimento de 1,99% da economia brasileira em 2026. Há quatro semanas, a previsão era de expansão de 1,98%.

Para 2027, o mercado estima crescimento de 1,65%, enquanto para 2028 a projeção é de 2%.

No câmbio, as expectativas também seguem estáveis. A previsão é de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,20. Para 2027, a estimativa é de R$ 5,28, e para 2028, de R$ 5,30.

Mercado mantém previsão de queda da Selic

A projeção para a taxa básica de juros (Selic) em 2026 foi mantida em 14% pela quarta semana consecutiva.

Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, percentual definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de 17 de junho. Com isso, o mercado continua prevendo pelo menos uma redução da taxa até o fim de 2026.

Para 2027 e 2028, as estimativas permanecem em 12% e 10,5%, respectivamente.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 4 e 5 de agosto.

Papel da Selic na economia

A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando os juros são reduzidos, o crédito tende a ficar mais barato, favorecendo o consumo e os investimentos, o que pode estimular a atividade econômica. Em contrapartida, especialistas apontam que o aumento da demanda também pode elevar as pressões inflacionárias.

Já a elevação da Selic encarece o crédito, desestimula o consumo e tende a favorecer aplicações financeiras, contribuindo para conter a inflação, embora possa reduzir o ritmo de crescimento da economia.

Além da Selic, os bancos consideram fatores como risco de inadimplência, custos administrativos e margem de lucro na definição das taxas cobradas dos clientes.