Banco Central reduz projeção de crescimento da economia brasileira para 1,8%

Relatório de Política Monetária aponta inflação acima da meta e incertezas no cenário externo.

Publicado em 24/09/2026 às 14:29 - Agência Brasil - Em Economia

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(Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O Banco Central (BC) reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 e manteve em 5,2% a estimativa de inflação para o fim do ano. As informações constam no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (24), em Brasília.

Segundo o documento, a inflação tende a permanecer acima da meta, apesar da desaceleração observada nos últimos meses. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses recuou de 4,72% em maio para 4,22% em agosto.

Inflação segue acima da meta

O relatório afirma que a inflação de serviços “segue elevada em cenário de mercado de trabalho aquecido e hiato do produto positivo”. As expectativas de inflação permanecem acima da meta em todo o horizonte de projeção considerado pelo BC.

No cenário de referência do Comitê de Política Monetária (Copom), a inflação acumulada em quatro trimestres deve recuar para 4,4% no terceiro trimestre deste ano, mas voltar a subir para 5,2% no fim de 2026. A projeção para o primeiro trimestre de 2028 permaneceu em 3,2%.

Em relação ao relatório anterior, o BC afirmou que essa última projeção ficou estável, mas que a trajetória projetada para a inflação se tornou mais elevada de forma geral.

Atividade econômica perde ritmo

O relatório também aponta desaceleração da atividade econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre deste ano, após expansão de 1,1% no trimestre anterior.

Os primeiros indicadores do terceiro trimestre, segundo o BC, sugerem continuidade desse movimento. Diante da desaceleração da atividade e dos indicadores mais fracos, a instituição reduziu a projeção de crescimento da economia em 2026 de 2% para 1,8%. Para 2027, a estimativa é de expansão de 1,4%.

Mercado de trabalho e cenário externo

Apesar da atividade mais fraca, o mercado de trabalho segue aquecido. A taxa de desocupação permaneceu em nível historicamente baixo, e a geração de empregos com carteira assinada continua positiva, embora em ritmo menor.

O BC também destacou que o ambiente externo permanece incerto devido aos conflitos armados ainda não resolvidos no Oriente Médio e às decisões futuras de política monetária em economias avançadas.

Na reunião de setembro, o Copom reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano. Segundo o relatório, o cenário atual, marcado pelo aumento das incertezas, pela desancoragem das expectativas e pelos riscos para a inflação, exige cautela na condução da política monetária.