Banco Central eleva para 2% a projeção de crescimento do PIB em 2026 e prevê alta da inflação até o fim do ano

Autarquia citou surpresa positiva no PIB do primeiro trimestre, melhora na agropecuária e na indústria extrativa e aumento da probabilidade de inflação acima do teto da meta.

Publicado em 25/06/2026 às 14:45 - do Idest - Em Economia

Imagem da notícia
(Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Banco Central elevou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 e passou a prever inflação mais alta até o fim deste ano, segundo o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25), em Brasília.

PIB tem revisão após resultado do primeiro trimestre

A autarquia atribuiu a revisão à surpresa positiva com o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, quando a economia cresceu 1,1% na comparação com o último trimestre de 2025, com expansão na agropecuária, na indústria e nos serviços.

O Banco Central também informou melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa. Com isso, foram elevadas as estimativas para os três setores da economia, além da demanda interna, do consumo das famílias e dos investimentos das empresas.

Juros seguem como fator de contenção

Segundo o relatório, a revisão também reflete a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, em parte associada a estímulos fiscais e de crédito. Em sentido oposto, a trajetória mais elevada das taxas de juros tende a reduzir esse impulso.

O documento traz as diretrizes usadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para definir a taxa básica de juros, a Selic, e avalia a evolução recente e as perspectivas da economia, com foco especial nas projeções de inflação.

Inflação deve subir em 2026, diz BC

Em maio, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,58%, pressionada pelos alimentos. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,72%, acima do teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%.

O Banco Central informou que a inflação deve subir até o fim de 2026 e permanecer por mais de dois trimestres consecutivos acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta, voltando a cair em 2027. A chance de o índice estourar o teto da meta em 2026 passou de 30% para 79% em relação ao relatório anterior, de março.

Meta de inflação e cenário de juros

No horizonte relevante da política monetária, atualmente o quarto trimestre de 2027, a inflação projetada é de 3,7%. O BC afirmou que as projeções subiram desde março, influenciadas pela surpresa altista do IPCA, pela estimativa maior para o hiato do produto, pela alta dos preços do petróleo, seus derivados e de commodities, e pelo aumento das expectativas de inflação.

A autarquia disse ainda que a trajetória mais alta da Selic e a apreciação cambial ajudaram a conter parte dessa pressão. De junho de 2025 a março deste ano, a taxa ficou em 15% ao ano, maior nível em quase 20 anos. Na reunião da semana passada, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, pela terceira vez seguida.

Crédito mantém expansão, mas com desaceleração

O BC manteve em 9% a projeção de crescimento do saldo do crédito ofertado a pessoas físicas e empresas em 2026. Houve, porém, revisão para baixo na expectativa de crédito livre, compensada por aumento no crédito direcionado.

No crédito livre, a projeção caiu para 7,8%, com recuo nas estimativas para empresas e alta para famílias. Para pessoas físicas, o Banco Central levou em conta programas do governo, como o Move Brasil, voltado a motoristas de aplicativos e taxistas, e o Novo Desenrola Brasil.

Já para as empresas, a projeção foi reduzida diante da expectativa para juros e câmbio. No crédito direcionado, a estimativa subiu para 10,7%, com destaque para o financiamento empresarial e para o Desenrola para Micro e Pequenas Empresas.

Contas externas e investimentos

O BC reduziu a projeção de déficit em transações correntes de US$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões em 2026. A revisão foi atribuída principalmente ao aumento do saldo comercial, impulsionado pela alta do preço do petróleo.

A projeção para exportações aumentou com base na expectativa de maior volume e, sobretudo, de preços mais altos. As importações também foram revistas para cima, em especial por causa dos combustíveis.

O déficit externo deve ser financiado por capitais de longo prazo, principalmente pelos investimentos diretos no país, cuja entrada líquida foi estimada em US$ 75 bilhões, ante US$ 70 bilhões no relatório anterior.

Economia cresceu 2,3% em 2025

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária. Foi o quinto ano consecutivo de crescimento.