Balbinos Agroindustrial demite funcionários em Sidrolândia durante paralisação e recuperação judicial de R$ 120,8 milhões
Empresa afirma ter chegado ao limite financeiro e não informa quantos trabalhadores serão dispensados nesta etapa.

A Balbinos Agroindustrial iniciou demissões na manhã de sexta-feira (14), em Sidrolândia, durante a paralisação da produção e o processo de recuperação judicial motivado por uma dívida de R$ 120,8 milhões. Trabalhadores formaram fila diante do setor de Recursos Humanos do frigorífico para realizar os procedimentos de desligamento.
A empresa atribuiu os cortes à falta de dinheiro em caixa e afirmou que não consegue mais sustentar cerca de 350 funcionários sem produção regular. O número de demissões nesta etapa não foi informado.
Empresa afirma ter chegado ao limite financeiro
Em nota divulgada na sexta-feira (14), a Balbinos afirmou ter “chegado ao limite de sua capacidade financeira”. Segundo a empresa, também faltam recursos para recompor o capital de giro e retomar os abates.
A companhia informou que o caixa chegou a zero em dezembro de 2025 e que encerrou aquele ano com prejuízo de R$ 47,7 milhões. A empresa disse ainda que manteve os trabalhadores enquanto teve condições financeiras para isso e que tentou preservar os empregos antes de iniciar os desligamentos.
Recuperação judicial foi autorizada em dezembro
A situação ocorre dez meses depois de cinco pecuaristas recorrerem à Justiça para cobrar mais de R$ 2 milhões referentes à compra de bovinos. As ações foram apresentadas entre 17 e 28 de outubro de 2025. Naquele período, a Balbinos suspendeu as atividades e concedeu férias coletivas aos funcionários.
Um dia depois das primeiras reportagens sobre as cobranças, o frigorífico pediu proteção judicial para reorganizar as dívidas. No pedido, declarou passivo de R$ 120.849.519,51. Desse total, R$ 107,6 milhões correspondiam a débitos inscritos na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a maior parte relacionada ao Funrural.
A Justiça autorizou a recuperação judicial em dezembro de 2025. O plano apresentado neste ano prevê o pagamento de 30% das dívidas, com dois anos de carência e prazo de até 15 anos para quitação. A proposta depende da continuidade das operações e da geração de receita para pagar os credores.
Contas já mostravam deterioração
Os dados apresentados no processo indicavam piora financeira antes das demissões. O caixa caiu de R$ 107.706,37 no fim de outubro para zero em 31 de dezembro de 2025. A empresa encerrou o ano com prejuízo acumulado de R$ 47.708.923,09 e também registrou resultado negativo em janeiro.
A recuperação judicial foi questionada por credores em relação ao patrimônio informado pela Balbinos. Meses antes de declarar a dívida milionária, o capital social passou de R$ 600 mil para R$ 30,6 milhões. Desse aumento, R$ 30 milhões apareciam no balanço de setembro de 2025 como valor ainda a ser integralizado pelo sócio José Márcio Fedes.
Credores solicitaram documentos para comprovar a entrada do dinheiro na empresa, e um deles apontou possível simulação de patrimônio no processo.
Questionamentos chegaram ao Ministério Público
O caso também chegou ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que encaminhou à Polícia Civil questionamentos apresentados por um pecuarista com crédito de R$ 1,8 milhão. Na ocasião, a polícia foi procurada para informar se havia investigação aberta, mas não respondeu.
Em junho, quando a unidade voltou a ficar paralisada, a manutenção dos cerca de 350 postos de trabalho já era considerada incerta. A empresa afirmava não ter acesso a recebíveis usados para financiar a compra de gado e outras despesas e buscava recursos para retomar as operações.
