Balança comercial registra superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro
Resultado foi o segundo melhor para setembro, enquanto o MDIC reduziu a projeção de superávit para 2026, de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões.

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro, impulsionada pelas exportações de petróleo, combustíveis, soja e cobre. O saldo cresceu 34,8% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto as vendas externas avançaram 12,9%, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta terça-feira (6), em Brasília.
O resultado foi o segundo melhor para setembro na série histórica, atrás apenas do registrado em 2023. As exportações somaram US$ 34,42 bilhões, e as importações chegaram a US$ 26,68 bilhões.
Corrente de comércio atinge recorde para setembro
A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, alcançou US$ 61,09 bilhões. Foi o maior valor já registrado para meses de setembro e o segundo maior para todos os meses, atrás apenas de junho deste ano.
O crescimento das exportações foi liderado pela indústria extrativa, com US$ 9,44 bilhões, seguida pela indústria de transformação, com US$ 17,67 bilhões, e pela agropecuária, com US$ 7 bilhões.
Entre os produtos em destaque estão petróleo bruto e minério de cobre, na indústria extrativa; farelos de soja e combustíveis, na indústria de transformação; e soja, café não torrado, centeio e aveia, na agropecuária.
Estados Unidos ampliam compras de produtos brasileiros
O aumento das exportações de petróleo foi relacionado ao crescimento da produção e à alta de 24,7% nos preços médios, após o agravamento da guerra no Oriente Médio.
As vendas externas cresceram para a maior parte dos principais mercados do Brasil, incluindo os Estados Unidos, apesar das tensões comerciais entre os dois países. As exportações para a América do Norte somaram US$ 5,2 bilhões e avançaram 31,9% para os Estados Unidos em setembro. No acumulado do ano, porém, as vendas ao mercado norte-americano caíram 6,5%.
As exportações para a Europa totalizaram US$ 8,3 bilhões. Segundo o MDIC, o crescimento para a União Europeia pode ser explicado pelo acordo com o Mercosul, que impulsionou principalmente as vendas de alimentos para o bloco. Para a Ásia, as exportações somaram US$ 17,4 bilhões e recuaram, enquanto as vendas para a América do Sul ficaram estáveis, em US$ 4,2 bilhões.
Importações têm leve recuo
As compras brasileiras no exterior tiveram leve recuo em setembro, principalmente nas categorias de bens de capital e bens intermediários. As importações somaram US$ 14,9 bilhões em bens intermediários, US$ 4,3 bilhões em bens de consumo, US$ 4,1 bilhões em bens de capital e US$ 3,4 bilhões em combustíveis.
De acordo com o MDIC, a desaceleração da economia provocada pelos juros altos está reduzindo os investimentos da indústria, principal compradora de máquinas e equipamentos.
Resultado acumulado e projeções para 2026
De janeiro a setembro, a balança comercial acumulou superávit de US$ 62,4 bilhões. No período, as exportações somaram US$ 264,65 bilhões, e as importações, US$ 222,26 bilhões.
Apesar do crescimento das exportações, o MDIC revisou para baixo a projeção de superávit comercial para 2026, de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. Mesmo com a redução, o resultado seria o segundo melhor para um ano desde o início da série histórica, em 1989, atrás apenas de 2023.
A previsão para as exportações foi reduzida de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões. A estimativa para as importações passou de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões.
As projeções do MDIC são mais otimistas que as das instituições financeiras. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central, os analistas de mercado projetam superávit comercial de US$ 78,3 bilhões para este ano.
