Pantanal é o bioma brasileiro com maior aumento de temperatura nos últimos 40 anos, aponta MapBiomas

Plataforma MapBiomas Atmosfera indica que Pantanal teve alta média de 1,9°C e Amazônia de 1,2°C entre 1985 e 2024, com impactos em eventos extremos e chuvas.

Publicado em 05/11/2025 às 15:49 - do Idest - Em Cidades

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(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Pantanal registrou o maior aumento médio de temperatura entre os biomas brasileiros nos últimos 40 anos, conforme dados divulgados pela plataforma MapBiomas Atmosfera nesta quarta-feira (5), que analisou o período de 1985 a 2024. O levantamento apontou elevação de 1,9°C no Pantanal e de 1,2°C na Amazônia, ambos superiores à média nacional de 1,2°C no mesmo intervalo.

Aquecimento varia entre biomas brasileiros

Segundo o MapBiomas (Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo do Brasil), o aumento médio da temperatura no país foi de 0,29ºC por década entre 1985 e 2024. O Pantanal apresentou a maior taxa, de 0,47°C por década, seguido pelo Cerrado (0,31°C) e pela Amazônia (0,29°C). Biomas costeiros, como Caatinga, Mata Atlântica e Pampa, tiveram elevações de 0,25°C, 0,21°C e 0,14°C por década, respectivamente.

Recordes de temperatura em 2024

O ano de 2024 foi considerado o de maior alta de temperatura desde o início do levantamento, com a Amazônia e o Pantanal apresentando acréscimos de 1,5°C e 1,8°C, respectivamente, em relação à média observada desde 1985. De acordo com Luciana Rizzo, professora da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do MapBiomas Atmosfera, esses dados estão associados à ocorrência de eventos extremos, como queimadas e secas intensas em ambas as regiões.

Influência do desmatamento e chuvas abaixo da média

Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas, destaca que a Amazônia perdeu 52 milhões de hectares de vegetação nativa desde 1985, o equivalente a 13% da área do bioma. Estudos citados pela organização indicam que o desmatamento é responsável por 74% da redução das chuvas e 16% do aumento da temperatura na Amazônia durante a estação seca. Em 2024, a precipitação na Amazônia ficou 20% abaixo da média histórica, e áreas atingidas pela seca registraram até 1.000 mm/ano a menos de chuva.

Impactos regionais e dados sobre poluição

Os estados localizados no interior do país, como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Piauí, apresentaram taxas de aumento de temperatura entre 0,34ºC e 0,40ºC por década. Já estados litorâneos, como Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba, registraram taxas menores. Além disso, a qualidade do ar no Norte do país foi afetada em 2024, com maior intensidade de poluentes atmosféricos relacionada à fumaça dos incêndios florestais.

Ferramenta para políticas públicas

Paulo Artaxo, professor da USP e membro do MapBiomas Atmosfera, afirma que as alterações de temperatura e precipitação afetam todos os biomas brasileiros e reforça que a plataforma pode auxiliar na implementação de políticas públicas para preservação dos ecossistemas.