Estudo mostra fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso

Exemplar de Leolepis está entre os fósseis de peixes de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservados já encontrados no Brasil.

Publicado em 27/08/2026 às 13:17 - do Idest - Em Cidades

Imagem da notícia
(Journal of South American Earth)

Uma nova espécie de peixe pré-histórico que viveu há cerca de 254 milhões de anos foi apresentada em um estudo científico com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O fóssil foi encontrado em Alto Garças e conserva praticamente todo o corpo, oferecendo informações sobre a vida no continente sul-americano antes da extinção Permo-Triássica, ocorrida há aproximadamente 252 milhões de anos. O estudo foi divulgado nesta quinta-feira (27).

O animal pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas, que reúne cerca de 96% dos peixes vertebrados existentes atualmente, incluindo atum, salmão e bacalhau. Com aproximadamente 15 centímetros de comprimento, ele tinha o corpo protegido por escamas resistentes formadas por dentina e esmalte, materiais também encontrados nos dentes humanos.

Fóssil preserva quase todo o corpo

O grau de preservação torna o achado especialmente relevante. Enquanto muitos peixes dessa idade encontrados no Brasil são conhecidos apenas por dentes, escamas ou fragmentos ósseos isolados, o exemplar de Leolepis conserva praticamente todo o corpo.

O estudo classifica o fóssil como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado em Mato Grosso. O achado também é considerado raro em escala mundial.

Vestígios de um ecossistema antigo

O peixe viveu durante o Permiano Superior, em um grande sistema aquático continental formado a partir de um antigo mar interior, quando América do Sul e África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana. Pelo tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores estimam que Leolepis se alimentava de pequenos invertebrados e plantas.

O fóssil ajuda a reconstruir parte do ecossistema que existia pouco antes da extinção Permo-Triássica. Considerado o maior episódio de extinção em massa conhecido pela ciência, o evento eliminou cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas.

Descoberta perto da cratera de Araguainha

O fóssil foi encontrado a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada estrutura desse tipo na América do Sul. A descoberta também contribui para o conhecimento do registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul, ainda considerado limitado.

A pesquisadora Valéria Gallo, do Departamento de Zootecnia da Uerj, participou da descrição do fóssil. Segundo ela, a preservação excepcional do exemplar pode ajudar os pesquisadores a identificar a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e a estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas.

O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que posteriormente o disponibilizou para estudo e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.