Estudo mostra fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso
Exemplar de Leolepis está entre os fósseis de peixes de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservados já encontrados no Brasil.

Uma nova espécie de peixe pré-histórico que viveu há cerca de 254 milhões de anos foi apresentada em um estudo científico com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O fóssil foi encontrado em Alto Garças e conserva praticamente todo o corpo, oferecendo informações sobre a vida no continente sul-americano antes da extinção Permo-Triássica, ocorrida há aproximadamente 252 milhões de anos. O estudo foi divulgado nesta quinta-feira (27).
O animal pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas, que reúne cerca de 96% dos peixes vertebrados existentes atualmente, incluindo atum, salmão e bacalhau. Com aproximadamente 15 centímetros de comprimento, ele tinha o corpo protegido por escamas resistentes formadas por dentina e esmalte, materiais também encontrados nos dentes humanos.
Fóssil preserva quase todo o corpo
O grau de preservação torna o achado especialmente relevante. Enquanto muitos peixes dessa idade encontrados no Brasil são conhecidos apenas por dentes, escamas ou fragmentos ósseos isolados, o exemplar de Leolepis conserva praticamente todo o corpo.
O estudo classifica o fóssil como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado em Mato Grosso. O achado também é considerado raro em escala mundial.
Vestígios de um ecossistema antigo
O peixe viveu durante o Permiano Superior, em um grande sistema aquático continental formado a partir de um antigo mar interior, quando América do Sul e África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana. Pelo tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores estimam que Leolepis se alimentava de pequenos invertebrados e plantas.
O fóssil ajuda a reconstruir parte do ecossistema que existia pouco antes da extinção Permo-Triássica. Considerado o maior episódio de extinção em massa conhecido pela ciência, o evento eliminou cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas.
Descoberta perto da cratera de Araguainha
O fóssil foi encontrado a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada estrutura desse tipo na América do Sul. A descoberta também contribui para o conhecimento do registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul, ainda considerado limitado.
A pesquisadora Valéria Gallo, do Departamento de Zootecnia da Uerj, participou da descrição do fóssil. Segundo ela, a preservação excepcional do exemplar pode ajudar os pesquisadores a identificar a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e a estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas.
O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que posteriormente o disponibilizou para estudo e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.
