“Em briga de marido e mulher nós salvamos a mulher”, afirma defensora em evento do Agosto Lilás em Bandeirantes
Manhã de cidadania reuniu serviços públicos e palestra sobre violência doméstica e os direitos das mulheres.

A Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Semas) realizou na quarta-feira (19), no Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Bandeirantes (Sinteban), uma manhã de cidadania em alusão ao Agosto Lilás, mês de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. Durante o evento, a defensora pública e coordenadora do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), Kricilaine Oksman, destacou a importância da mobilização da sociedade no enfrentamento à violência doméstica.
Além da palestra, o evento contou com serviços oferecidos por diferentes órgãos. A Secretaria de Saúde disponibilizou vacinação, aferição de pressão arterial e glicemia. A equipe do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) levou duas urnas eletrônicas para treinamento, enquanto a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública realizou a emissão do novo RG.
Informação e acesso a direitos
Na abertura, a secretária de Assistência Social, Francielly Ramos, ressaltou que falar sobre violência contra a mulher também envolve informação, prevenção, acolhimento, autonomia e acesso a direitos.
Segundo ela, muitas mulheres deixam de procurar ajuda por desconhecerem os serviços disponíveis, não identificarem determinadas formas de violência ou não saberem quais mecanismos de proteção podem ser utilizados.
Durante a palestra, Kricilaine afirmou que a violência doméstica contra a mulher é um problema que envolve toda a sociedade.
“Há muito (tempo) nós não podemos mais falar o ditado antigo: briga de marido e mulher não se mete a colher, agora, quem trabalha com essa pauta, usa a frase: em briga de marido e mulher nós salvamos a mulher”, declarou.
Desigualdade e violência
A defensora explicou que, ao longo dos anos, foi atribuído à mulher o papel de cuidado, enquanto ao homem foi destinado o espaço público.
Segundo Kricilaine, a divisão de funções dentro de uma família não representa, por si só, um problema. A situação se torna preocupante quando essa estrutura produz desigualdade ou violência.
Ela também destacou que as escolhas pessoais das mulheres devem ser respeitadas e que não cabe ao homem determinar como a mulher deve se vestir, onde pode ir, com quem pode sair ou exigir acesso ao celular e às conversas pessoais.
Kricilaine afirmou ainda que, mesmo com o empoderamento feminino e a ampliação da participação das mulheres em diferentes funções na sociedade, muitos homens não admitem perder espaço de poder e continuam tentando concentrar as decisões familiares.
Ao final, a defensora convocou a sociedade a atuar como rede de apoio às mulheres e a não tolerar situações de violência.
Programação do Agosto Lilás
As ações do Agosto Lilás em Bandeirantes continuam nesta quinta-feira (21), com palestra na empresa Só Sal e uma blitz educativa no Centro da cidade.
Na segunda-feira (24), será realizada uma palestra na Cerealista Rio Sul. Já na terça-feira, está prevista uma visita técnica à Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, com alunos do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Ernesto Solon Borges.
Também participaram do evento a primeira-dama, Marciley Pitaluga; o defensor público, Alberto Oxman; o promotor de Justiça, Gustavo Henrique Bertocco; e o soldado da Polícia Militar Carlos Batista, representante do Promuse (Programa Mulher Segura).
Serviço
Em caso de violência, as vítimas podem ligar para o 180, número da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas. Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.
