Desmatamento no Cerrado cai 18,9% em agosto, aponta monitoramento do Inpe

Bioma perdeu 238 km² de vegetação nativa no mês, segundo o Deter; resultado foi o segundo melhor para agosto desde o início da série histórica.

Publicado em 11/09/2026 às 20:36 - do Idest - Em Cidades

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(Fernando Frazão/Agência Brasil)

No Dia do Cerrado, celebrado nesta sexta-feira (11), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou dados que apontam redução nos alertas de desmatamento no bioma. Em agosto, o Cerrado perdeu 238 km² de vegetação nativa, uma queda de 18,9% em relação aos 294 km² registrados no mesmo mês de 2025.

Os dados são do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter) e mostram que agosto de 2026 teve o segundo melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2018.

Segundo Cláudio de Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e Demais Biomas do Inpe, a tendência de redução também aparece na análise trimestral.

“No Cerrado, como um todo, a gente tem percebido, quando a gente olha para o dado trimestral, que essa redução vem com uma certa constância nos últimos três anos. Isso é fruto de um trabalho de engajamento do governo federal com os governos estaduais para reduzir esse desmatamento”, afirmou.

Amazônia registra alta em agosto

Na Amazônia, o resultado de agosto foi diferente. A área desmatada aumentou 12,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado, passando de 319 km² para 358 km².

Apesar da alta mensal, o período de junho a agosto apresentou redução em relação ao ano anterior e teve o segundo melhor resultado para o trimestre na série histórica.

Cláudio de Almeida destacou que, embora o trimestre ainda apresente tendência de queda, o aumento registrado em agosto exige atenção.

“Ainda é muito abaixo de níveis anteriores, mas é sempre uma preocupação de que isso saia do controle. O desmatamento é um eterno controle: você tem que estar sempre olhando para o que está acontecendo para evitar que você tenha um novo pico”, explicou.

Segundo o coordenador, uma variação em apenas um mês pode representar uma situação pontual. Caso o aumento se repita no mês seguinte, porém, o cenário passa a exigir maior atenção.

Pará concentra aumento na Amazônia

Durante a divulgação dos dados, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, comemorou a redução registrada no Cerrado, mas manifestou preocupação com o resultado da Amazônia.

Segundo ele, o aumento de agosto ocorreu principalmente no Pará, onde foram interrompidas ações de apoio da polícia aos órgãos de fiscalização ambiental.

“Mesmo que nós saibamos que o dado de um mês no Deter não deva ser considerado como um indicador estruturado de tendência, já que três meses é o mínimo para a gente perceber um pouco como é que está essa avaliação, nós não podemos deixar de considerar que houve um aumento no mês de agosto e também não devemos deixar de considerar e de ter claro que esse aumento foi concentrado em um estado: no Pará”, afirmou.

O ministro disse ainda que o governo federal está reorganizando as ações para atuar nas regiões que registraram aumento.

“Mas estamos reorganizando a ação federal para traçar uma ação imediata e reverter essas regiões onde houve aumento no mês de agosto”, declarou.

Portarias ampliam ações de conservação no Cerrado

Também nesta sexta-feira, Capobianco assinou duas portarias relacionadas à conservação ambiental.

Uma delas regulamenta as modalidades de pagamento por serviços ambientais. A outra cria as Áreas Prioritárias de Recarga Hídrica no Bioma Cerrado (Aprhic), que indicam regiões onde deverão ser concentrados esforços de conservação e restauração.

Para Yuri Salmona, doutor em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília (UnB) e diretor executivo do Instituto Cerrados, a medida reconhece o papel das áreas de recarga para a manutenção dos recursos hídricos e da segurança hídrica, especialmente durante períodos de seca.

“A portaria atualiza o paradigma da gestão dos recursos hídricos no Cerrado ao reconhecer, pela primeira vez em escala de bioma, o papel estratégico das áreas de recarga para a manutenção dos recursos hídricos e da segurança hídrica, especialmente nos períodos de seca”, explicou.

Segundo Salmona, a iniciativa também contribui para transformar o conhecimento científico em orientação para políticas públicas e direcionar investimentos para áreas prioritárias.

“A grande dificuldade que nós temos é como otimizar o uso de recursos, tanto financeiros como humanos. Quando esse mecanismo apresenta as áreas prioritárias, isso permite organizar melhor os investimentos”, disse o ministro ao assinar a portaria.

Plataforma permite consultar áreas prioritárias

Uma plataforma para consulta das áreas prioritárias de recarga hídrica do Cerrado também foi lançada nesta sexta-feira.

Segundo Salmona, a ferramenta permite transformar os dados científicos em informações para apoiar decisões de gestores públicos, órgãos ambientais, comitês de bacia e sociedade civil.

A plataforma pode ser acessada pelo site Aprhic.

Acesse a plataforma de Áreas Prioritárias de Recarga Hídrica do Cerrado