Vazio sanitário entra na reta final e produtor de São Gabriel do Oeste acompanha cenário para o plantio

Período termina em 15 de setembro e semeadura da soja 2026/2027 será autorizada a partir do dia 16 em Mato Grosso do Sul.

Publicado em 08/09/2026 às 14:54 - do Idest, com informações da Aprosoja/MS - Em Agronegócio

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(Marcos Maluf/AprosojaMS)

O vazio sanitário da soja entra na reta final em Mato Grosso do Sul, enquanto produtores se preparam para o início da nova safra. Em São Gabriel do Oeste, o produtor rural e diretor da Aprosoja/MS, Sérgio Marcon, acompanha as condições de chuva antes de definir o início das operações de plantio.

Iniciado em 15 de junho, o vazio sanitário segue até 15 de setembro e tem como objetivo reduzir a sobrevivência e a multiplicação do fungo causador da ferrugem-asiática, uma das principais doenças que afetam a cultura da soja.

Durante o período, não é permitida a manutenção de plantas vivas de soja nas propriedades, incluindo as chamadas plantas voluntárias, conhecidas como guaxas ou tigueras. A eliminação dessas plantas é fundamental para interromper o ciclo do fungo e reduzir a pressão da doença sobre a próxima safra.

Com o fim do vazio sanitário, a semeadura da soja estará autorizada a partir de 16 de setembro, seguindo até 31 de dezembro.

Preparação para a nova safra

Para o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, os últimos dias antes da semeadura são importantes para revisar as condições das áreas e organizar as operações.

“Com a aproximação do fim do vazio sanitário, o produtor entra em uma fase importante de preparação para a nova safra. É o momento de avaliar as condições do solo, conferir os resultados das análises e planejar a adubação de acordo com a necessidade de cada área. Também é importante verificar a qualidade e a procedência dos fertilizantes que serão utilizados”, orienta.

Segundo Santana, o planejamento antecipado permite corrigir possíveis limitações, organizar a compra dos insumos e entrar no plantio com uma estratégia adequada para cada talhão.

Atenção às plantas daninhas

Mesmo com o encerramento do vazio sanitário, o manejo da ferrugem-asiática continua sendo uma preocupação durante todo o ciclo da cultura.

A recomendação é aproveitar o período de transição para revisar máquinas e equipamentos, organizar a aquisição de insumos, avaliar as condições do solo e planejar as operações de plantio e manejo da lavoura.

O analista também chama atenção para as operações de dessecação pré-plantio, principalmente nas áreas que vêm da colheita do milho segunda safra. A buva, do gênero Conyza, tem ganhado destaque e exige atenção no manejo.

“O ideal é fazer o monitoramento antecipado da área e realizar o controle das plantas daninhas antes da semeadura, considerando as espécies presentes, o estádio de desenvolvimento e as características de cada talhão. Entrar com a área limpa no plantio é fundamental para evitar a competição com a soja desde o início da cultura”, explica.

Produtor de São Gabriel aguarda condições de chuva

Sérgio Marcon relata que a programação começa após a distribuição dos fertilizantes e a entrada com a dessecação. Segundo ele, o momento para iniciar o plantio também depende da perspectiva de chuvas.

“A gente espera a normalização das chuvas, porque nós até podemos plantar, mas se não tiver uma boa perspectiva de chuvas no decorrer, a gente retarda um pouquinho para iniciar com tranquilidade, sem botar em risco a semente e os tratos culturais que a gente faz com antecedência. Mas é um ano diferente, vieram chuvas, teoricamente em data boa”, afirma.

Cenário climático

A previsão climática para Mato Grosso do Sul no trimestre de setembro a novembro indica chuvas próximas ou acima da média, mas com possibilidade de irregularidade na distribuição das precipitações, principalmente no início do período de transição entre a estação seca e a chuvosa.

Os modelos apontam ainda para temperaturas acima da média, com risco de períodos de calor intenso e ondas de calor. A previsão do Cemtec/Semadesc indica a permanência do El Niño, que pode influenciar as condições climáticas no Estado.

Apesar da tendência de maior volume de chuva no trimestre, a distribuição ao longo do período pode ser irregular, o que reforça a importância do acompanhamento das condições climáticas durante o plantio.

Expectativa de produtividade

De acordo com estimativa do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, a expectativa de produtividade para a primeira safra 2026/2027 é de 52,4 sacas por hectare.

A estimativa representa uma redução de 13,2% em relação à safra anterior.