Soja de MS amplia presença no Oriente Médio e reduz concentração das exportações
Países como Paquistão, Irã e Bangladesh ganham espaço entre os compradores, enquanto a China segue como principal destino da produção sul-mato-grossense.

A soja de Mato Grosso do Sul começa a ampliar sua presença em mercados do Oriente Médio, em um movimento de diversificação das exportações. Embora a China continue como principal destino da produção estadual, países como Paquistão, Irã e Bangladesh aumentaram sua participação nos embarques de julho.
De acordo com o boletim econômico da Aprosoja/MS, elaborado com dados da Secex, Mato Grosso do Sul exportou 933,2 mil toneladas de soja em julho, volume 11,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O valor dos embarques chegou a US$ 410,3 milhões, alta de 21,3% na comparação anual.
China segue na liderança
A China respondeu por 63,9% das exportações de soja sul-mato-grossense em julho. Na sequência aparecem o Paquistão, com 14,5%, o Irã, com 7,4%, e Bangladesh, com 7,5%. Outros destinos somaram 6,8%.
Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, a diversificação dos destinos é positiva porque reduz a concentração das vendas e amplia as alternativas de comercialização.
“A China continua sendo um mercado estratégico para a soja brasileira e sul-mato-grossense, mas a diversificação dos destinos é positiva porque reduz a concentração das vendas e aumenta as alternativas de comercialização”, avalia.
A China é o maior importador global do grão e segue como mercado estratégico para o Brasil. No entanto, a ampliação da participação de outros compradores passa a ter importância para a comercialização da produção.
Exportações avançam em julho
O volume exportado em julho ficou 0,7% acima de junho, com acréscimo de aproximadamente 6,5 mil toneladas. O boletim também aponta que, no acumulado de 2026 até julho, Mato Grosso do Sul havia exportado 5,5396 milhões de toneladas de soja, ante 6,1188 milhões no mesmo período de 2025 e 6,6014 milhões em 2024.
A análise econômica da Aprosoja/MS aponta que as exportações de soja mantiveram números estáveis em julho, com leve alta e desempenho acima da tendência observada no mesmo período do ano anterior. O documento relaciona esse comportamento à demanda aquecida e à diversificação dos países compradores.
O boletim destaca ainda que a logística para os mercados do Oriente Médio vem apresentando condições favoráveis, cenário que pode contribuir para a armazenagem e oferecer ao produtor melhores condições de comercialização.
Oriente Médio amplia espaço
O boletim da Aprosoja/MS aponta espaço para novos importadores do Oriente Médio em um momento de demanda aquecida e de condições logísticas favoráveis para esses mercados.
Para o produtor, a diversificação representa a ampliação do número de compradores capazes de absorver a produção, o que pode aumentar as alternativas de negociação.
A aproximação com esses mercados, porém, ocorre em um cenário de instabilidade geopolítica, que pode afetar rotas marítimas, custos de frete e combustíveis.
“O Oriente Médio representa uma oportunidade de diversificação para a soja, mas também exige atenção à logística e aos riscos geopolíticos. Não se trata apenas de encontrar novos compradores, mas de acompanhar a transformação das rotas pelas quais os alimentos circulam no mundo”, finaliza Linneu.
Milho não teve embarques em julho
Enquanto a soja registrou alta nas exportações, não houve comercialização de milho de Mato Grosso do Sul para o exterior em julho. Segundo a análise da Aprosoja/MS, o cenário está relacionado ao início da colheita da segunda safra e à necessidade de atender à demanda local.
