Seca exige reforço no manejo do rebanho para preservar desempenho da cria e recria
Embrapa orienta produtores a intensificar cuidados sanitários e nutricionais durante o período de estiagem para reduzir impactos no rebanho.

O período de seca no Centro-Oeste exige atenção redobrada dos pecuaristas com o manejo do rebanho, especialmente nas fases de cria e recria. A combinação de baixa umidade do ar, escassez de chuvas e temperaturas elevadas reduz o crescimento das pastagens e pode comprometer a disponibilidade de água, tornando essenciais medidas de prevenção para manter a saúde dos animais e a produtividade das propriedades.
Manejo sanitário e nutricional
De acordo com o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Rodrigo Gomes, na fase de recria é fundamental manter a vacinação contra a clostridiose em dia, principalmente em animais de 12 a 24 meses de idade. Ele também recomenda seguir o protocolo de vermifugação da Embrapa, com aplicações nos meses de maio, julho e novembro.
A estratégia nutricional deve ser ajustada conforme a disponibilidade de forragem. Em propriedades com boa oferta de pasto, a recomendação é utilizar suplementação proteica ou proteico-energética de baixo consumo para manter o ganho de peso com menor custo.
Já em regiões onde concentrados e coprodutos estão mais acessíveis, é possível intensificar a suplementação, chegando a até 1% do peso vivo do animal para acelerar o desenvolvimento durante a recria.
Atenção especial às fêmeas prenhes
As fêmeas desmamadas no outono precisam de manejo adequado para atingir condições reprodutivas até o fim do ano. Para vacas prenhes, especialmente no terço final da gestação, a orientação é manter a vacinação contra diarreia neonatal, doenças reprodutivas e clostridioses.
O pesquisador explica que vacas com bom escore corporal, entre 3 e 4 em uma escala de 1 a 6, podem receber suplementação com sal ureado ou proteico de baixo consumo para conservar o peso sem aumentar significativamente os custos.
Por outro lado, matrizes com baixo escore corporal e previsão de parto durante o período seco devem ser separadas em áreas de melhor pastagem e receber suplementação proteico-energética reforçada, entre 1 kg e 1,2 kg por dia. Em alguns casos, essa suplementação pode chegar a 1% do peso vivo para melhorar a condição corporal antes da parição e favorecer uma nova prenhez na estação de monta seguinte.
Desmama antecipada pode trazer benefícios
Segundo Rodrigo Gomes, a desmama antecipada é indicada principalmente para vacas primíparas, que tendem a perder mais peso após o primeiro parto. Nesses casos, o desmame pode ocorrer por volta dos seis meses de idade do bezerro, reduzindo o desgaste da matriz e favorecendo sua recuperação.
Para os bezerros, a recomendação é utilizar o sistema Creep-Feeding, no qual apenas os animais em aleitamento têm acesso ao suplemento no cocho. A estratégia permite que o bezerro mantenha bom desempenho e seja desmamado com maior peso, compensando a menor produção de leite da mãe.
Planejamento também melhora o descarte
O pesquisador também orienta antecipar a desmama das vacas destinadas ao descarte. A medida permite engordar esses animais antes da venda, aumentando seu valor de mercado. Além do ganho econômico, a estratégia contribui para o melhoramento genético do rebanho, ao favorecer uma seleção mais eficiente das matrizes.
