Reinaldo defende relicitação da Malha Oeste por trechos

Senador eleito propõe considerar demanda de cargas, viabilidade econômica e integração entre bitolas e ramais ferroviários.

Publicado em 04/11/2026 às 20:16 - do Idest - Em Agronegócio

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(Divulgação)

O senador eleito por Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, defendeu a recuperação da Malha Oeste por meio de uma relicitação dividida em trechos, considerando a demanda de cargas, a viabilidade econômica de cada segmento e a integração com outros ramais ferroviários. Segundo ele, a medida é necessária para ampliar a competitividade do Estado, reduzir custos logísticos e preservar as rodovias submetidas ao tráfego de veículos pesados.

Proposta considera características de cada região

Reinaldo afirmou que a retomada da ferrovia deve levar em conta as características produtivas de cada região e a possibilidade de adequações entre bitolas larga e estreita, conforme a viabilidade técnica e econômica e a necessidade de conexão com outras malhas.

“Não basta recuperar os trilhos. Precisamos de uma ferrovia que funcione, tenha carga para transportar e esteja conectada aos principais corredores logísticos do país. Defendo a relicitação por trechos, de acordo com a demanda de cargas, e a avaliação das bitolas mais adequadas para garantir essas conexões”, afirmou.

Produção amplia demanda por transporte

Em uma publicação nas redes sociais, Reinaldo apresentou números sobre a importância do transporte ferroviário. Segundo ele, o escoamento de 11 milhões de toneladas de soja exigiria aproximadamente 300 mil viagens de caminhões com capacidade para 37 toneladas.

Um trem com 150 vagões pode transportar até 15 mil toneladas de grãos, o equivalente à carga de mais de 400 caminhões. Na safra 2025/2026, Mato Grosso do Sul colheu 17,7 milhões de toneladas de soja, segundo a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS). Somadas outras culturas, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção estadual de grãos em 30,3 milhões de toneladas.

A pecuária também contribui para a demanda logística, com um rebanho de aproximadamente 17,9 milhões de bovinos. Apesar da expansão da produção, cerca de 80% do escoamento agrícola estadual ainda depende das rodovias, conforme diagnóstico da Aprosoja/MS.

Malha tem cerca de 1,6 mil quilômetros

A Malha Oeste possui aproximadamente 1,6 mil quilômetros entre Corumbá e Mairinque. A proposta de uma nova concessão prevê investimentos para recuperar a infraestrutura e retomar as operações ferroviárias.

Na avaliação de Reinaldo, a recuperação da ferrovia deve estar associada à eficiência logística, à redução dos custos de transporte e à preservação das rodovias estaduais e federais, atualmente submetidas ao intenso tráfego de veículos pesados.

“Mato Grosso do Sul bate recordes de produção, mas continua dependendo excessivamente das rodovias. O transporte ferroviário reduz custos, diminui o desgaste das estradas e aumenta a competitividade de quem produz. Precisamos combinar os dois modais de forma inteligente”, declarou.

Defesa no Senado

Reinaldo afirmou que pretende defender no Senado uma solução estruturante para a Malha Oeste, com participação do governo federal, do setor produtivo e de investidores privados. O objetivo, segundo ele, é assegurar a viabilidade dos investimentos e a retomada efetiva do transporte ferroviário.

“MS precisa voltar aos trilhos. Não podemos continuar transportando a produção do futuro com a infraestrutura do passado. Precisamos de ferrovias modernas, economicamente viáveis e integradas aos corredores de desenvolvimento do Brasil”, concluiu.