Região norte de MS se destaca na produtividade de milho, com Alcinópolis e São Gabriel no topo do ranking estadual
Alcinópolis liderou o ranking estadual, com 158,43 sacas por hectare, enquanto São Gabriel do Oeste ficou em segundo lugar, com 151,53 sacas; safra 2025/2026 registrou produção recorde em Mato Grosso do Sul.

A região norte de Mato Grosso do Sul se destacou na produtividade de milho na safra 2025/2026, com Alcinópolis na primeira posição do ranking estadual e São Gabriel do Oeste em segundo lugar. Os municípios registraram médias de 158,43 e 151,53 sacas por hectare, respectivamente, conforme o levantamento final do Projeto de Sistemas de Informações Geográficas do Agronegócio de Mato Grosso do Sul (SIGA-MS), executado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS).
São Gabriel do Oeste produziu aproximadamente 766 mil toneladas de milho em uma área de 84.248 hectares. O resultado colocou o município entre os dez maiores produtores estaduais em volume total e garantiu a segunda maior produtividade por hectare.
No levantamento regional, o norte apresentou produtividade média ponderada de 135,83 sacas por hectare, a maior entre as três regiões acompanhadas pelo projeto. A área cultivada chegou a 246.485 hectares, com produção aproximada de 2,01 milhões de toneladas.
Municípios do norte se destacam no ranking estadual
Além de Alcinópolis e São Gabriel do Oeste, outros municípios da região norte registraram resultados expressivos na safra.
Chapadão do Sul alcançou produtividade média de 146,30 sacas por hectare, enquanto Costa Rica registrou 144,84 sacas. Paraíso das Águas também apresentou desempenho relevante, com média de 136,12 sacas por hectare.
No ranking estadual, os cinco primeiros colocados foram:
- Alcinópolis: 158,43 sacas por hectare;
- São Gabriel do Oeste: 151,53 sacas por hectare;
- Brasilândia: 151,05 sacas por hectare;
- Rio Negro: 150,48 sacas por hectare;
- Chapadão do Sul: 146,30 sacas por hectare.
Rio Negro, que integra a região central na divisão adotada pelo SIGA-MS, também ficou entre os municípios de maior produtividade do Estado.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, os resultados municipais precisam ser analisados considerando fatores como distribuição das chuvas, época de semeadura, características do solo, manejo e tecnologia empregada.
MS registra produção recorde de milho
Em todo o Estado, a produção de milho na safra 2025/2026 chegou a 16,23 milhões de toneladas, cultivadas em 2,348 milhões de hectares, com produtividade média ponderada de 115,21 sacas por hectare.
De acordo com a Aprosoja/MS, os números representam o melhor resultado da série histórica do SIGA-MS em produção e produtividade.
Na comparação com a safra 2024/2025, quando foram colhidas 13,933 milhões de toneladas, houve aumento de 16,5% no volume produzido. A produtividade média também avançou, passando de 108,42 para 115,21 sacas por hectare.
“Os números representam o melhor desempenho da série histórica do projeto, tanto em produção quanto em produtividade”, destacou Gabriel Balta.
A área cultivada cresceu 9,6% em relação ao ciclo anterior e alcançou a segunda maior extensão registrada pelo projeto, atrás apenas dos 2,355 milhões de hectares da safra 2022/2023.
No início do ciclo, a estimativa era de 11,139 milhões de toneladas, com produtividade projetada de 84,2 sacas por hectare. O resultado final ficou aproximadamente 45,7% acima da previsão inicial, enquanto a produtividade superou a estimativa original em cerca de 36,8%.
Maracaju lidera em volume produzido
Embora a região norte tenha alcançado a maior produtividade média, os maiores volumes de produção foram registrados em municípios com extensas áreas cultivadas.
Maracaju liderou a produção estadual, com aproximadamente 2,55 milhões de toneladas em 323.822 hectares. Em seguida aparecem Ponta Porã, com 1,54 milhão de toneladas; Sidrolândia, com 1,52 milhão; e Dourados, com 1,42 milhão de toneladas.
Juntos, os quatro municípios responderam por aproximadamente 43% de todo o milho produzido em Mato Grosso do Sul.
São Gabriel do Oeste também aparece entre os dez maiores produtores estaduais, com aproximadamente 766 mil toneladas. A diferença entre os rankings de produção e produtividade ocorre porque o volume total depende tanto do rendimento por hectare quanto da extensão da área cultivada.
Na região sul, foram produzidas aproximadamente 10,96 milhões de toneladas em 1,618 milhão de hectares, com produtividade média de 112,90 sacas por hectare. A região central registrou cerca de 3,27 milhões de toneladas em 484.157 hectares, com média de 112,43 sacas por hectare.
Chuvas influenciaram o desenvolvimento da safra
O ciclo 2025/2026 foi marcado por variações na distribuição das chuvas em Mato Grosso do Sul. Em janeiro, grande parte do Estado registrou precipitações abaixo da média histórica, com acumulados entre 30 e 120 milímetros. Das 63 estações meteorológicas monitoradas, 59 apresentaram volumes inferiores à média.
A regularização das chuvas ocorreu a partir de fevereiro, com precipitações acima da média climatológica em boa parte do território estadual. Em março, os volumes permaneceram elevados em áreas das regiões central, norte e oeste, favorecendo o avanço da semeadura.
Ao final de março, o plantio havia alcançado 91,6% da área prevista. A semeadura foi concluída em 1º de maio, aproximadamente uma semana depois do ciclo anterior.
Em maio, chuvas volumosas atrasaram o início da colheita em algumas localidades. Episódios de granizo também atingiram lavouras de Deodápolis, Fátima do Sul, Glória de Dourados, Itaporã, Ivinhema e Dourados, afetando cerca de 2.850 hectares.
No final de junho, geadas registradas na região sul-fronteira provocaram danos em lavouras nos estádios reprodutivos R3 e R4, embora não tenha sido consolidada uma estimativa da área atingida.
A partir de julho, períodos com menor precipitação favoreceram o avanço da colheita, concluída em 9 de outubro de 2026, aproximadamente duas semanas depois do encerramento registrado na safra anterior.
Como é feito o levantamento
O SIGA-MS é executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja de Mato Grosso do Sul (Fundems/Semadesc).
A metodologia combina avaliações amostrais realizadas por técnicos com informações fornecidas pelos produtores sobre a produtividade das lavouras. Os resultados são ponderados conforme a área cultivada de cada propriedade e município, permitindo calcular as médias regionais e estaduais.
Na primeira quinzena de setembro, uma avaliação baseada em 354 levantamentos, correspondentes a aproximadamente 400 mil hectares, indicou produtividade média de 122,79 sacas por hectare. Com a consolidação dos dados em outubro, a média final ficou em 115,21 sacas por hectare, confirmando a produção recorde estadual de aproximadamente 16,23 milhões de toneladas.
