Avanço da produção de soja e milho muda perfil do emprego no campo em MS

Mato Grosso do Sul registra uma das maiores safras da história, enquanto mecanização reduz mão de obra direta e amplia demanda por atividades de suporte ao agronegócio.

Publicado em 15/09/2026 às 18:49 - do Idest, com informações da Aprosoja/MS - Em Agronegócio

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(Marcos Maluf - Aprosoja/MS)

Mato Grosso do Sul registra uma das maiores safras de sua história, com 16,7 milhões de toneladas de soja e 11,1 milhões de toneladas de milho na safra 2025/2026. O avanço da produção ocorre acompanhado de uma mudança no perfil do emprego no campo, com redução proporcional da mão de obra diretamente envolvida nas lavouras e maior participação de atividades ligadas à agroindústria, aos agrosserviços e ao suporte técnico.

Segundo o Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, elaborado pelo Cepea em parceria com a CNA, o agronegócio brasileiro empregou 28,40 milhões de pessoas em 2025, maior patamar da série histórica iniciada em 2012. O número representa crescimento de 2,2% em relação a 2024, equivalente a 601.806 novos trabalhadores, e corresponde a 26,3% da população ocupada no país.

Lavouras perdem trabalhadores

Apesar do crescimento do emprego no agronegócio como um todo, o segmento primário, onde estão as lavouras de soja e milho, registrou retração de 1,1% em 2025, com redução de 87.378 trabalhadores.

Na agricultura, a população ocupada na produção de milho caiu 10%, o equivalente a 43.087 pessoas, enquanto a soja registrou redução de 6,9%, ou 31.987 trabalhadores.

Ao mesmo tempo, a agroindústria teve crescimento de 1,4% nas contratações e os agrosserviços avançaram 6,1%. Para o Cepea, o movimento está relacionado ao avanço da tecnificação da agropecuária, com maior utilização de mecanização, automação e ferramentas digitais, que substituem parte das atividades manuais no campo.

Parte da mão de obra passa, assim, a ser demandada em atividades relacionadas ao processamento, transporte e suporte à produção.

Produção reforça peso de MS no agronegócio

A produção de soja e milho mantém papel importante na economia e nas exportações de Mato Grosso do Sul. Além das 16,7 milhões de toneladas de soja e 11,1 milhões de toneladas de milho projetadas para a safra 2025/2026, o complexo soja respondeu por US$ 2,94 bilhões dos US$ 10,1 bilhões exportados pelo agronegócio estadual em 2025.

Segundo a Famasul, o agronegócio sul-mato-grossense ocupava 97,9 mil trabalhadores em 2025. O Valor Bruto da Produção agropecuária estadual somou R$ 79,65 bilhões em dezembro daquele ano, com 64,6% provenientes da agricultura e 35,5% da pecuária.

Emprego formal acompanha calendário da lavoura

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também mostram as características do mercado de trabalho rural no Estado.

Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com saldo positivo de 19.756 empregos formais. Desse total, a agropecuária respondeu por 1.256 vagas, abaixo dos saldos registrados pela construção civil, serviços, indústria e comércio.

O ritmo de contratação também varia de acordo com o calendário agrícola. Em abril de 2026, a agropecuária registrou saldo negativo de 115 vagas no Estado. Em agosto de 2025, foram 175 vagas negativas no setor.

Vazio sanitário influencia demanda por mão de obra

Parte dessa oscilação está relacionada ao calendário de cultivo da soja. Em Mato Grosso do Sul, o vazio sanitário ocorre de 15 de junho a 15 de setembro, período em que é proibida a manutenção de plantas vivas da cultura na lavoura.

A medida faz parte do Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja e busca interromper o ciclo do fungo Phakopsora pachyrhizi. Durante o período, a paralisação das atividades relacionadas à cultura também reduz a demanda por mão de obra diretamente vinculada à soja.

Em agosto de 2025, durante o vazio sanitário, a agropecuária foi o único setor com saldo negativo no Estado, com 175 vagas a menos. Com o encerramento do período em 15 de setembro, a semeadura da nova safra é liberada entre 16 de setembro e 31 de dezembro, movimentando novamente a demanda por mão de obra no plantio.

Qualificação ganha importância

Um levantamento da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), baseado em dados da Rais e do Caged, mostra o peso da agropecuária no mercado de trabalho formal estadual.

Em 2021, o setor respondia por 10,64% dos empregos formais de Mato Grosso do Sul, com 74.411 dos 699.417 vínculos analisados. Dentro da agropecuária, as lavouras temporárias, onde estão soja e milho, representavam 28,3% dos vínculos, com 19.072 postos de trabalho e remuneração média de R$ 2.545,65.

A escolaridade também aparece como fator de diferenciação da remuneração. Entre mulheres empregadas na agropecuária nos principais municípios analisados, a remuneração média de quem possuía ensino superior completo era de R$ 5.138,46, enquanto entre aquelas com ensino médio era de R$ 2.378,29.

Os dados apontam para um campo sul-mato-grossense que emprega proporcionalmente menos pessoas diretamente nas lavouras, mas aumenta a necessidade de profissionais qualificados para operar máquinas, utilizar ferramentas digitais, gerenciar atividades e prestar suporte à produção.

Empregos se distribuem por outras etapas da cadeia

A análise da Aprosoja/MS aponta que o crescimento da produção de soja e milho em Mato Grosso do Sul vem acompanhado de uma mudança na distribuição dos empregos.

O trabalho não desaparece, mas migra para a agroindústria, os agrosserviços, o apoio técnico e a logística, além de se concentrar nas janelas de plantio e colheita, influenciadas pelo calendário agrícola e por períodos como o vazio sanitário.

Nesse cenário, o informativo destaca a importância de planejar a contratação de mão de obra temporária de acordo com o calendário da safra e investir na qualificação dos trabalhadores que já atuam no campo.