Produção de biodiesel cresce 32,4% em MS e amplia oportunidades para produtores de soja, aponta estudo da Aprosoja/MS
Estado produziu 31,159 milhões de litros no primeiro semestre de 2026 e alcançou a 7ª posição entre os produtores nacionais.

O avanço da produção de biodiesel B100 ampliou as oportunidades para agricultores de Mato Grosso do Sul, especialmente os produtores de soja, segundo estudo da equipe econômica da Aprosoja/MS. O estado produziu 31,159 milhões de litros do combustível no primeiro semestre de 2026, contra 23,536 milhões no mesmo período de 2025, alta de 32,4%, e alcançou a 7ª posição entre os produtores nacionais.
O B100 é formado por biodiesel puro, sem mistura com diesel fóssil. No Brasil, a produção utiliza principalmente óleos vegetais e, em Mato Grosso do Sul, o óleo de soja representa 77,38% das matérias-primas empregadas.
Integração entre lavoura e indústria
O estado conta atualmente com três usinas de biodiesel em operação: Cargill, em Três Lagoas; Delta Biocombustíveis, em Rio Brilhante; e Lar Cooperativa Agroindustrial, em Caarapó.
Para o produtor de soja, a expansão da indústria representa uma demanda adicional pelo óleo e fortalece a integração entre a lavoura e a agroindústria. Uma das principais oportunidades apontadas pelo estudo é a valorização do óleo de soja.
Demanda por óleo vegetal tende a crescer
O cronograma previsto pela legislação brasileira estabelece o aumento gradual da mistura de biodiesel ao diesel, do atual B15 para o B20 até 2030. Segundo o estudo, esse movimento tende a ampliar estruturalmente a demanda por óleo vegetal.
O produtor também pode avaliar o uso do próprio B100 em máquinas agrícolas, equipamentos e veículos. A legislação recente simplificou o processo para o uso voluntário do combustível em aplicações agrícolas, substituindo a necessidade de anuência prévia da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pela comunicação eletrônica nas situações previstas em lei.
Custo pode ser maior para quem compra o combustível
O estudo ressalta, porém, que o B100 não representa atualmente economia direta de combustível para quem compra o produto pronto no mercado. A estimativa é de que o custo por quilômetro rodado fique entre 20% e 30% acima do B15, considerando preços e consumos específicos.
A vantagem econômica pode ser diferente para empresas verticalizadas, que produzem o próprio biodiesel ou conseguem condições específicas de fornecimento.
Possíveis novos contratos
Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, o avanço do biodiesel cria uma oportunidade para o produtor ir além da comercialização tradicional dos grãos.
“A integração com usinas e cooperativas pode permitir novos modelos de contrato, fornecimento de matéria-prima e valorização de atributos relacionados à sustentabilidade. A presença de três plantas industriais e o crescimento da produção estadual formam uma estrutura que pode favorecer essa aproximação”, afirmou.
Segundo Gimenes, o B100 já possui experiências de uso em operações agrícolas e logísticas no Brasil. Grandes empresas realizaram projetos com biodiesel puro, demonstrando a viabilidade operacional da tecnologia em diferentes aplicações.
“Para o produtor sul-mato-grossense, a oportunidade está em acompanhar essa transformação e avaliar, de acordo com sua escala, estrutura e localização, quais possibilidades fazem sentido para a propriedade. Mais do que uma alternativa de combustível, o B100 representa o avanço de uma cadeia que pode aproximar ainda mais o produtor da indústria, ampliar a demanda por produtos da soja e criar novas possibilidades de negociação dentro da economia de baixo carbono”, disse o analista.
Participação em créditos de descarbonização
Outro ponto destacado no estudo são os CBios, créditos de descarbonização do RenovaBio. A Lei nº 15.082/2024 passou a prever a possibilidade de participação do produtor rural na receita de CBios gerada pela usina que compra sua matéria-prima.
A regra, no entanto, não é igual para todas as culturas. Para a cana-de-açúcar, há um percentual mínimo previsto em lei. Para soja e milho, não existe percentual mínimo obrigatório. O repasse deve ser negociado livremente entre produtor e usina e pode ser estruturado como um prêmio pela matéria-prima fornecida.
O produtor pode buscar contratos diretos com usinas que prevejam participação na receita de CBios, além de fornecer informações de manejo e produção que contribuam para a eficiência energético-ambiental da cadeia.
O simples uso do B100 na propriedade não gera CBios automaticamente para o produtor. A possibilidade de participação nessa receita está relacionada ao fornecimento de matéria-prima à usina e à existência de um acordo contratual de repasse.
