Pesquisa impulsiona produtividade e fortalece competitividade do agro em Mato Grosso do Sul

Fundação Chapadão amplia atuação, investe em inovação e desenvolve tecnologias para atender demandas do campo em mais de 500 mil hectares agrícolas.

Publicado em 16/06/2026 às 11:33 - do Idest - Em Agronegócio

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(Saul Schramm)

Os investimentos em pesquisa científica têm contribuído diretamente para o aumento da produtividade e da competitividade do agronegócio em Mato Grosso do Sul. Com quase 29 anos de atuação, a Fundação Chapadão vem ampliando sua área de abrangência no norte do Estado e fortalecendo parcerias com instituições públicas e privadas para desenvolver tecnologias voltadas às principais culturas agrícolas da região, como soja, milho e algodão.

Pesquisa acompanha demandas do setor produtivo

Atualmente, a Fundação Chapadão atende municípios como Chapadão do Sul, Costa Rica, Paraíso das Águas, Alcinópolis, Cassilândia, Paranaíba e Coxim, além de expandir projetos para novas regiões do norte sul-mato-grossense.

Segundo o presidente da instituição, Ilton Henrichsen, as características climáticas da região favorecem a consolidação das culturas de soja e milho, que devem continuar como foco prioritário das pesquisas nos próximos anos.

“A soja e o milho estão muito consolidados na nossa região. Por isso, as pesquisas continuarão focadas no desenvolvimento de novas cultivares, no aumento da produtividade e em soluções para os desafios que surgem a cada safra”, afirma.

Henrichsen também destaca o crescimento da cana-de-açúcar em áreas consideradas marginais para a produção de grãos, cenário que deve ampliar a demanda por pesquisas voltadas à cultura. Além disso, cita os citros, especialmente em municípios como Cassilândia e Paranaíba, entre as cadeias produtivas com potencial de expansão regional.

Henrichsen avalia que a região norte de Mato Grosso do Sul possui características climáticas que favorecem as culturas de soja e milho
Henrichsen avalia que a região norte de Mato Grosso do Sul possui características climáticas que favorecem as culturas de soja e milho (Foto: Saul Schramm)

Da luta contra nematoides à referência em inovação

De acordo com o diretor-executivo da Fundação Chapadão, André Bartolomeu Piesanti, a instituição surgiu na década de 1990 a partir da mobilização de produtores rurais que enfrentavam problemas com nematoides nas lavouras de soja.

Hoje, a Fundação desenvolve pesquisas em mais de 500 mil hectares agrícolas, com trabalhos voltados à validação de novas cultivares, manejo de pragas e doenças, fertilidade do solo, nutrição vegetal, sementes, nematoides e tecnologias para mitigação dos efeitos climáticos sobre as lavouras.

Segundo Piesanti, a validação regional das novas variedades é fundamental para orientar os produtores sobre o desempenho dos materiais genéticos nas condições específicas da região.

“A cada ano surgem novos materiais genéticos no mercado e eles precisam ser avaliados na nossa região. Essas informações servem para nortear a tomada de decisão do produtor na safra seguinte”, explica.

A Fundação Chapadão desenvolve pesquisas atingindo uma área de atuação em mais de 500 mil hectares
A Fundação Chapadão desenvolve pesquisas atingindo uma área de atuação em mais de 500 mil hectares (Foto: Saul Schramm)

Ciência, sustentabilidade e inteligência artificial

A Fundação Chapadão conta atualmente com sete pesquisadores e laboratórios especializados em fitopatologia, entomologia, nematologia, herbologia, análise de sementes, genética e fertilidade do solo.

Para Piesanti, o avanço da produtividade agrícola observado nos últimos anos está diretamente ligado aos investimentos em ciência e inovação. Ele ressalta ainda que a sustentabilidade passou a ocupar papel central nas pesquisas, especialmente diante das exigências dos mercados internacionais por rastreabilidade e comprovação de boas práticas ambientais.

Outro tema que vem ganhando espaço é a inteligência artificial. Segundo o diretor-executivo, a tecnologia já é utilizada em diferentes etapas da produção rural e tende a ampliar sua presença também nas atividades de pesquisa.

“A inteligência artificial veio para ficar. Ela já está sendo utilizada no monitoramento das lavouras, na mecanização, na aplicação de produtos e na análise de informações geradas no campo”, afirma.

Piesanti estima que parfa a safra 2026/2027, o valor investido será de aproximadamente R$ 2,7 milhões
Piesanti estima que parfa a safra 2026/2027, o valor investido será de aproximadamente R$ 2,7 milhões (Foto: Saul Schramm)

Investimentos garantem continuidade das pesquisas

A parceria entre o Governo de Mato Grosso do Sul e a Fundação Chapadão tem garantido recursos para a manutenção das atividades científicas desenvolvidas pela instituição.

Segundo Piesanti, os investimentos estaduais são destinados principalmente ao custeio dos experimentos e à aquisição de insumos utilizados nos trabalhos de campo. A Fundação recebeu cerca de R$ 2,5 milhões por safra agrícola em 2023 e 2024. Na safra 2024/2025, o aporte foi ampliado para R$ 3,7 milhões. Para 2026/2027, a previsão é de aproximadamente R$ 2,7 milhões.

“Esse recurso é fundamental para a aquisição de materiais de consumo, defensivos, insumos e ferramentas necessárias para sustentar todo o trabalho de pesquisa desenvolvido pela Fundação”, destaca.

Segundo a agrônoma Aniele Versotto, os laboratórios da Fundação realizam diagnósticos de doenças, análises de produtos biológicos que garantem a eficiência no campo
Segundo a agrônoma Aniele Versotto, os laboratórios da Fundação realizam diagnósticos de doenças, análises de produtos biológicos que garantem a eficiência no campo (Foto: Fundação Chapadão)

Pesquisa fortalece competitividade do agro sul-mato-grossense

Para o diretor-presidente da Fundect, Cristiano Marcelo Espínola Carvalho, os resultados obtidos pelas fundações de pesquisa têm contribuído para fortalecer a agropecuária estadual.

Segundo ele, a validação das novas tecnologias dentro do próprio Estado oferece mais segurança aos produtores para adoção de inovações e amplia a eficiência das atividades agrícolas.

“Os produtores de Mato Grosso do Sul contam com uma base sólida de pesquisas que valida as novas tecnologias apresentadas ao mercado. Isso nos dá muito mais segurança para absorver essas inovações, porque elas são testadas e validadas dentro do próprio Estado”, observa.

IA, genética e laboratórios ampliam alcance das pesquisas

O engenheiro agrônomo Fábio Lima Abrantes destaca que a inteligência artificial já começa a transformar a pesquisa agropecuária ao permitir análises mais rápidas e precisas de grandes volumes de dados, auxiliando desde a interpretação de imagens de satélite até a previsão de produtividade das lavouras.

Na área de genética, a Fundação avalia materiais já disponíveis comercialmente e novas cultivares em desenvolvimento para identificar aquelas com melhor adaptação às condições de solo e clima da região.

Aniele ressalta ainda que a manutenção da estrutura laboratorial exige investimentos contínuos
Aniele ressalta ainda que a manutenção da estrutura laboratorial exige investimentos contínuos (Foto: Saul Schramm)

Além disso, os laboratórios da instituição realizam diagnósticos de doenças, análises de produtos biológicos e testes que auxiliam produtores rurais na identificação de problemas e na adoção de estratégias mais eficientes para o manejo das lavouras.

Segundo a engenheira agrônoma Aniele Versotto Teixeira, a estrutura laboratorial permite recomendações mais precisas e contribui para garantir a eficiência das tecnologias utilizadas no campo.

“A pesquisa tem um custo elevado. Sem o apoio de parceiros e dos investimentos realizados pelo Governo do Estado, seria muito difícil manter toda essa estrutura funcionando apenas com recursos dos produtores”, ressalta.