Pesquisa de MS cria método que identifica carnes de diferentes espécies em 20 minutos

Tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Embrapa, UFMS e Unesp diferencia espécies, identifica raças bovinas e pode fortalecer o combate a fraudes no setor.

Publicado em 07/07/2026 às 13:59 - do Idest, JWC - Em Agronegócio

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(Arquivo Embrapa)

Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram uma metodologia capaz de identificar carnes de diferentes espécies em cerca de 20 minutos por meio da espectrometria de massas MALDI-TOF. A tecnologia, inédita no Brasil para essa finalidade, também diferencia carnes das raças bovinas Nelore e Angus, ampliando as possibilidades de certificação de produtos e combate a fraudes.

Tecnologia identifica espécies e raças

A metodologia utiliza os perfis de massa das proteínas presentes na carne, que funcionam como uma "impressão digital" molecular característica de cada espécie ou raça animal.

Com base nesses perfis, os pesquisadores construíram um banco de dados capaz de identificar carnes bovinas, suínas, de frango e tilápia, inclusive após o congelamento ou a fritura.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Newton Verbisck, responsável por liderar o estudo, o banco de dados poderá ser utilizado tanto para avaliação da qualidade dos produtos quanto para ações de fiscalização.

"Assim, foi possível construir um banco de dados com perfis de massa das proteínas de diferentes carnes para, por exemplo, avaliar a qualidade do produto ou para fins de fiscalização", explica.

Pesquisador Newton Verbisck durante experimentos
Pesquisador Newton Verbisck durante experimentos (Foto: Talita Barbosa)

Processo é rápido e reduz custos

De acordo com os pesquisadores, o protocolo desenvolvido simplifica a preparação das amostras e permite concluir toda a análise em aproximadamente 20 minutos.

Além da rapidez, a metodologia se apresenta como uma alternativa mais econômica em relação às análises genéticas tradicionalmente utilizadas para identificar fraudes, mantendo elevado nível de precisão.

Ferramenta amplia rastreabilidade e combate fraudes

Os resultados da pesquisa indicam que a espectrometria de massas pode se tornar uma importante ferramenta para rastreabilidade biológica, controle de qualidade, fiscalização sanitária e certificação de produtos de maior valor agregado.

A tecnologia também poderá ser utilizada para identificar substituições indevidas e adulterações em derivados de carne, reforçando a proteção ao consumidor.

Atualmente, no Mato Grosso do Sul, o equipamento utilizado na pesquisa está operacional apenas na Embrapa Gado de Corte.

Pesquisador Newton Verbisck durante experimentos
Pesquisador Newton Verbisck durante experimentos (Foto: Talita Barbosa)

Como funciona o método

O processo começa com a retirada de um pequeno fragmento da parte interna da carne. Em seguida, as proteínas são extraídas e preparadas para análise em um espectrômetro de massas do tipo MALDI-TOF.

No equipamento, as moléculas são ionizadas por meio de um laser e percorrem um tubo sob vácuo. O tempo de deslocamento e a massa das proteínas são registrados e comparados a um banco de dados, permitindo identificar com precisão a espécie e, em alguns casos, até mesmo a raça do animal.

Todo esse procedimento é realizado em poucos minutos, tornando a metodologia uma alternativa ágil e eficiente para aplicações na indústria, na fiscalização e na pesquisa científica.