Registro de produtores amplia monitoramento de javalis e suiformes em Mato Grosso do Sul
Ferramenta utiliza geotecnologia para mapear ocorrências e apoiar estratégias de controle, prevenção e proteção da produção agropecuária.

Produtores rurais, técnicos, engenheiros agrônomos, médicos-veterinários e demais profissionais ligados ao campo passaram a contar com uma nova ferramenta para auxiliar no monitoramento de javalis e outros suiformes em Mato Grosso do Sul. O Painel de Monitoramento de Suiformes reúne registros georreferenciados de ocorrências desses animais e busca ampliar o mapeamento de áreas afetadas em todo o Estado.
A iniciativa foi desenvolvida pela Aprosoja/MS, com recursos do Fundems e em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
O objetivo é reunir informações sobre a presença de javalis, javaporcos, porcos-do-mato, catetos e queixadas, permitindo identificar regiões com maior concentração de registros, acompanhar tendências de dispersão e subsidiar ações de controle e prevenção.
Informações do campo fortalecem o monitoramento
A eficácia da ferramenta depende diretamente da participação de produtores e profissionais que acompanham diariamente a rotina das propriedades rurais.
Por meio do painel, é possível registrar avistamentos e danos causados pelos animais, incluindo informações de localização, fotografias, vídeos e relatos sobre prejuízos em lavouras, cercas, estruturas de captação de água, áreas de preservação ambiental e criações.
Segundo a Aprosoja/MS, quanto maior for a participação dos usuários, mais completa e precisa será a base de dados disponível para análise.
O coordenador técnico da entidade, Gabriel Balta, destaca que a plataforma transforma informações coletadas diretamente no campo em inteligência territorial.
“A ferramenta transforma informações coletadas diretamente no campo em uma base de inteligência territorial. A colaboração dos produtores e dos profissionais que acompanham a rotina das propriedades é essencial para identificar áreas críticas, acompanhar a evolução das ocorrências e apoiar ações mais eficientes de monitoramento, controle e prevenção”, afirmou.
Dados passarão por validação técnica
Antes de integrarem o banco de dados oficial, todas as informações enviadas pelos usuários passarão por análise da equipe técnica responsável pelo projeto.
A analista de Geoprocessamento da Aprosoja/MS, Staël Caroline, explica que os registros serão auditados para garantir a qualidade das informações.
“Cada informação registrada pode trazer evidências importantes para ampliar a qualidade do monitoramento. Os dados serão auditados pela equipe técnica, com análise da consistência geográfica, da autenticidade das evidências e da identificação correta das espécies”, explicou.
Espécie invasora causa prejuízos ao campo
Considerado uma espécie invasora, o javali representa riscos econômicos, ambientais e sanitários para Mato Grosso do Sul.
Nas propriedades rurais, os animais podem provocar danos em culturas agrícolas, especialmente em lavouras de soja e milho, por meio do consumo de sementes, destruição de plântulas, pisoteio e revolvimento do solo.
Além disso, também são responsáveis por prejuízos em cercas, sistemas de captação de água e áreas de preservação ambiental.
Outro fator de preocupação é o risco sanitário, já que os javalis podem atuar como reservatórios de doenças capazes de impactar a produção pecuária.
Impactos ambientais preocupam
Os danos não se limitam à atividade agropecuária. No meio ambiente, o comportamento de chafurdamento desses animais altera a estrutura do solo, favorece processos erosivos e pode contribuir para o assoreamento de nascentes e cursos d’água.
Os suiformes também competem por alimento e espaço com espécies nativas, como catetos e queixadas, aumentando a pressão sobre a fauna local.
Como participar
Produtores rurais e colaboradores que identificarem javalis, javaporcos ou evidências de danos provocados pelos animais podem registrar as informações diretamente no Painel de Monitoramento de Suiformes.
O envio de registros acompanhados de fotografias, vídeos e localização geográfica contribui para ampliar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de monitoramento e controle no Estado.
A ferramenta está disponível para acesso público e busca construir um panorama cada vez mais preciso sobre a presença desses animais em Mato Grosso do Sul.
