MS tem potencial para ampliar processamento da soja e agregar valor à produção, aponta estudo da Aprosoja

Levantamento destaca exportação de grãos sem industrialização, déficit de armazenagem e demanda crescente por derivados como oportunidades para o Estado.

Publicado em 23/06/2026 às 20:23 - do Idest - Em Agronegócio

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(Divulgação Aprosoja/MS - arquivo)

Mato Grosso do Sul possui condições favoráveis para ampliar sua capacidade de processamento industrial da soja, fortalecendo a agroindustrialização e agregando valor à produção agrícola. A avaliação é de um estudo desenvolvido pela Aprosoja/MS, que aponta a combinação entre elevada produção de grãos, déficit estrutural de armazenagem e exportação significativa de soja in natura como fatores que reforçam esse potencial.

Em 2025, cerca de 43% da soja produzida no Estado foi destinada ao mercado externo sem processamento. Dos 14,06 milhões de toneladas colhidas, aproximadamente 6,1 milhões de toneladas foram exportadas na forma de grãos, evidenciando espaço para ampliar a industrialização da matéria-prima dentro do próprio Estado.

Déficit de armazenagem é um dos desafios

O estudo destaca que um dos principais gargalos da cadeia produtiva sul-mato-grossense está na capacidade de armazenagem. Atualmente, Mato Grosso do Sul possui estrutura estática para estocar 15,59 milhões de toneladas, enquanto a produção conjunta de soja e milho supera esse volume em cerca de 12,4 milhões de toneladas.

A insuficiência de armazenagem impacta diretamente a comercialização da safra. Em períodos de alta produção, muitos produtores precisam acelerar o escoamento dos grãos, aumentando custos logísticos e reduzindo a possibilidade de aguardar momentos mais favoráveis para a venda.

Industrialização pode fortalecer a economia

Segundo a Aprosoja/MS, a instalação de novas indústrias esmagadoras representa uma alternativa estratégica para fortalecer a agroindustrialização e ampliar a retenção de riqueza no Estado.

O processamento transforma a soja em farelo e óleo bruto, produtos com demanda consolidada e maior valor agregado em relação ao grão exportado sem beneficiamento.

“O fortalecimento da capacidade de processamento permite que uma parcela maior da riqueza gerada no campo permaneça na economia estadual. A instalação de novas indústrias amplia a demanda regional por grãos, fortalece os elos da cadeia produtiva e reduz a dependência exclusiva das oscilações do mercado internacional de commodities”, avalia o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.

Além dos ganhos econômicos, o processamento industrial contribui para aliviar a pressão sobre o sistema de armazenagem ao ampliar o giro dos estoques e criar novos canais para absorção da produção regional.

Estrutura atual e novas oportunidades

Atualmente, Mato Grosso do Sul possui unidades esmagadoras instaladas nos municípios de Dourados, Campo Grande, Três Lagoas, Caarapó e Sidrolândia, além de uma planta em construção em Naviraí.

A maior concentração dessas estruturas está localizada na região sul do Estado, onde também se encontra a principal área produtora de soja.

De acordo com o estudo, fatores logísticos são determinantes para a atração de novos investimentos. As regiões sul e sudoeste apresentam vantagens competitivas pela disponibilidade de rodovias, proximidade de polos consumidores e acesso a importantes corredores de escoamento para os mercados interno e externo.

“A instalação de novas esmagadoras não deve ser analisada apenas sob a perspectiva industrial. Trata-se também de uma estratégia logística e econômica, capaz de aumentar o giro dos estoques, gerar demanda local pela produção e estimular a formação de uma cadeia agroindustrial mais robusta”, destaca Linneu.

Demanda crescente por farelo e óleo

Outro fator apontado pela Aprosoja/MS é o aumento da demanda pelos derivados da soja. O crescimento da produção de proteína animal mantém aquecida a procura por farelo de soja, principal fonte de proteína vegetal utilizada na fabricação de rações.

Ao mesmo tempo, as diretrizes nacionais que preveem a ampliação gradual da mistura de biodiesel ao diesel fortalecem a demanda por óleo bruto de soja.

Na avaliação da entidade, a combinação entre oferta de matéria-prima, demanda industrial crescente e localização estratégica coloca Mato Grosso do Sul em posição favorável para ampliar sua participação na agroindustrialização nacional.

Com isso, o Estado poderá reduzir a dependência da exportação de commodities in natura, diversificar sua pauta exportadora, gerar empregos e ampliar a competitividade do agronegócio regional.