Milho tiguera exige controle nas lavouras de soja para reduzir riscos à segunda safra em MS

Plantas voluntárias competem por recursos com a oleaginosa e servem de abrigo para a cigarrinha-do-milho, transmissora de doenças que podem comprometer a produção.

Publicado em 04/11/2026 às 20:35 - do Idest - Em Agronegócio

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(Divulgação Aprosoja/MS - arquivo)

O controle do milho tiguera nas lavouras de soja é uma medida importante para preservar o potencial produtivo da oleaginosa e reduzir os riscos fitossanitários para a segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul. O monitoramento das plantas voluntárias deve começar ainda no desenvolvimento inicial da soja, evitando a competição por recursos e a permanência da cigarrinha-do-milho entre as safras.

Também conhecido como milho guacho ou voluntário, o milho tiguera nasce de grãos e fragmentos de espigas que permanecem no solo após a colheita. Quando emerge na lavoura de soja, passa a competir por água, nutrientes e radiação solar, prejudicando o desenvolvimento da cultura.

De acordo com o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, a incidência de milho tiguera nas lavouras sul-mato-grossenses durante a safra de soja 2026/2027 varia de baixa a média. Mesmo diante desse cenário, ele destaca a importância do monitoramento e do controle dessas plantas.

Milho tiguera favorece a permanência da cigarrinha

Além da competição com a soja, as plantas voluntárias de milho podem servir de abrigo, fonte de alimento e local de oviposição para a cigarrinha-do-milho.

Segundo Lucas Santana, quando uma cigarrinha infectada circula entre as plantas voluntárias, pode transmitir patógenos. Os insetos sadios que se alimentam e realizam postura nessas plantas também podem adquirir os agentes causadores de doenças, assim como as ninfas, dando origem posteriormente a uma população adulta infectante.

Em plantas de milho infectadas, as perdas de produção podem ultrapassar 70%, especialmente quando a infecção ocorre nos estádios iniciais de desenvolvimento.

Como a cigarrinha-do-milho completa seu ciclo exclusivamente em plantas de milho, a eliminação das plantas voluntárias nas lavouras de soja é considerada uma medida importante para reduzir a população do inseto e, consequentemente, os riscos para o cultivo seguinte.

Controle começa antes do plantio da segunda safra

O manejo do milho tiguera deve ser integrado e começar ainda na colheita do milho. A regulagem e a manutenção das colhedoras são medidas importantes para reduzir a perda de grãos e espigas que podem originar novas plantas voluntárias.

Após a implantação da soja, o monitoramento frequente permite identificar os diferentes fluxos de emergência e realizar o controle enquanto as plantas de milho ainda estão pequenas.

No manejo químico, é necessário considerar a tecnologia utilizada no híbrido de milho cultivado anteriormente, pois algumas biotecnologias conferem tolerância a herbicidas como glifosato e glufosinato de amônio.

O analista técnico da Aprosoja/MS reforça que o produtor não deve esperar a implantação da segunda safra para iniciar os cuidados.

“A orientação técnica é que o produtor não espere a implantação da segunda safra para começar a se preocupar com o problema. As decisões tomadas agora, durante o desenvolvimento inicial da soja, ajudam a reduzir a competição na lavoura atual e a pressão da cigarrinha para o próximo cultivo de milho”, finaliza Lucas Santana.