Mato Grosso do Sul amplia área irrigada e aponta potencial para crescer em 4,7 milhões de hectares

Levantamentos da Aprosoja/MS e do programa MS Irriga indicam avanço da irrigação na soja, no arroz, na pastagem e na cana-de-açúcar no Estado.

Publicado em 15/06/2026 às 20:41 - do Idest - Em Agronegócio

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(Divulgação Aprosoja/MS)

Celebrado em 15 de junho, o Dia da Agricultura Irrigada destaca uma atividade que vem ganhando cada vez mais espaço em Mato Grosso do Sul. Com ampla disponibilidade de recursos hídricos e potencial de expansão, a irrigação tem contribuído para o aumento da produtividade e para a redução dos riscos climáticos enfrentados pelos produtores rurais.

Dados do Projeto SIGA/MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, apontam que mais de 68 mil hectares irrigados foram mapeados na primeira safra 2025/2026 em Mato Grosso do Sul.

Do total, mais de 35 mil hectares correspondem à soja irrigada na safra de verão. Também foram identificadas áreas irrigadas destinadas ao cultivo de arroz, pastagem e cana-de-açúcar.

Potencial de crescimento

Segundo o Programa Estadual de Irrigação (MS Irriga), Mato Grosso do Sul possui atualmente 320.304 hectares irrigados, quase o triplo da área registrada há duas décadas, quando o Estado contava com aproximadamente 120 mil hectares irrigados.

Apesar do avanço, o potencial de crescimento ainda é significativo. Conforme o programa, cerca de 4,7 milhões de hectares podem ser incorporados à agricultura irrigada, ampliando a produção de commodities no Estado.

Impacto na produtividade

Os reflexos da irrigação já podem ser observados nos índices de produtividade agrícola. De acordo com o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, algumas regiões apresentam condições favoráveis para a expansão dessa tecnologia.

“As regiões Leste e Cone Sul de Mato Grosso do Sul apresentam grande potencial para a ampliação da irrigação, principalmente pela disponibilidade de áreas agrícolas e pelas condições favoráveis para o desenvolvimento de sistemas irrigados. Três Lagoas demonstra como a irrigação pode impactar diretamente os resultados da lavoura. Apesar da pequena área cultivada com soja, o município alcançou elevada produtividade graças ao uso da tecnologia. Esse cenário reforça o potencial de expansão da irrigação”, destacou.

Dados do MS Irriga também mostram que a tecnologia tem contribuído para garantir maior estabilidade produtiva em culturas como o milho, reduzindo os impactos causados pela irregularidade das chuvas e elevando os níveis de produtividade.

Gestão do risco climático

Para o produtor rural e diretor da Aprosoja/MS, Luis Alberto Moraes, conhecido como Mandi, a irrigação é uma ferramenta importante para reduzir riscos e ampliar as possibilidades produtivas nas propriedades rurais.

“A irrigação é importante ferramenta para a gestão do risco climático. Além disso, não menos importante, a irrigação proporciona novas alternativas para diversificação de culturas. Através da irrigação, hoje conseguimos fazer uma terceira safra. Mas é importante dizer que temos dificuldades também, o alto custo do investimento inicial e também o alto custo da energia elétrica”, afirmou.

Garantia de estabilidade

Em um cenário marcado por eventos climáticos cada vez mais frequentes, a irrigação tem se consolidado como uma alternativa para garantir maior previsibilidade ao produtor rural.

Além dos ganhos de produtividade, a tecnologia permite maior controle sobre a produção agrícola, reduzindo a dependência das condições climáticas e contribuindo para a continuidade e a estabilidade da atividade no campo ao longo dos anos.