Importações de fertilizantes recuam e aumentam pressão sobre custo da soja em Mato Grosso do Sul

Brasil importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes entre janeiro e julho, 7,4% menos que em 2025, mas desembolso subiu 8%.

Publicado em 08/10/2026 às 19:22 - do Idest - Em Agronegócio

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(Marcos Maluf/Aprosoja/MS)

Com a safra de soja 2026/2027 em fase de semeadura em Mato Grosso do Sul, o mercado de fertilizantes permanece no radar dos produtores diante dos impactos que os preços e a disponibilidade dos insumos podem provocar sobre os custos de produção e as margens da atividade.

Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes, volume 7,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Apesar da redução na quantidade, o desembolso aumentou 8%, chegando a US$ 8,8 bilhões.

Menos fertilizante e maior desembolso

Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, a redução do volume importado acompanhada pelo aumento dos gastos é um dos principais pontos de atenção para o produtor.

“O ponto central não é apenas a redução do volume importado, mas o aumento do desembolso para adquirir o fertilizante. Quando o Brasil importa menos e paga mais, temos um sinal de deterioração das condições de oferta que pode ser incorporado ao custo de produção da soja e pressionar a margem do produtor.”

O Brasil depende das importações para atender à demanda interna por fertilizantes. Entre 2021 e 2025, o volume adquirido no exterior permaneceu próximo de 40 milhões de toneladas por ano. Em 2025, foram importadas 45,48 milhões de toneladas, alta de 2,8% em relação ao ano anterior.

Segundo o levantamento da Aprosoja/MS, o cenário de 2026 ocorre em meio a fatores que pressionam a oferta internacional, incluindo impactos provocados por conflitos geopolíticos e alterações nas rotas de comércio.

Mato Grosso do Sul registra queda de 24,1%

De acordo com o Boletim de Fertilizantes de agosto de 2026, o volume acumulado de fertilizantes importados pelo Brasil estava 13,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Em Mato Grosso do Sul, a redução chegou a 24,1%.

A dependência externa deixa o mercado brasileiro exposto a fatores que não são controlados diretamente pelos produtores, como conflitos geopolíticos, disponibilidade nos países fornecedores, restrições comerciais e custos de transporte internacional.

“A dependência externa faz com que o custo do fertilizante esteja sujeito a variáveis que não são controladas pelo produtor, como conflitos geopolíticos, disponibilidade nos países fornecedores, restrições comerciais e frete internacional. Essa exposição aumenta a volatilidade do custo e dificulta a formação de uma expectativa mais precisa de margem”, explica Linneu Borges Filho.

Nitrogênio e potássio entre os pontos de atenção

A vulnerabilidade brasileira aparece nos três principais grupos de nutrientes utilizados na agricultura: nitrogênio, fósforo e potássio.

Entre eles, o nitrogênio apresentou a maior variação negativa nas importações brasileiras na comparação entre 2025 e 2026, com déficit de 17,2% no acumulado analisado.

No mercado de potássio, outro fator de atenção é a concentração dos fornecedores. Rússia e Canadá responderam juntos por cerca de 82% das importações brasileiras de fertilizantes potássicos em 2025.

Ao mesmo tempo, o Brasil representa menos de 1% da produção mundial de potássio, reforçando a dependência do mercado externo para atender ao consumo nacional.

Diversificação de fornecedores

Diante da concentração da oferta, a busca por fornecedores alternativos aparece como uma das estratégias para reduzir a exposição brasileira às oscilações do mercado internacional.

O levantamento da Aprosoja/MS aponta que países como China, Índia e Estados Unidos estão entre os grandes produtores mundiais de fertilizantes nitrogenados, mas possuem participação reduzida nas importações brasileiras.

A existência de produção, porém, não é suficiente para garantir uma nova fonte de abastecimento. É necessário avaliar o excedente disponível em cada país, a demanda interna, a capacidade de exportação, os preços e os custos logísticos para determinar se uma origem pode ser competitiva para o mercado brasileiro.