Iagro suspende cadastro de inseticida alvo de restrições por possíveis impactos sobre abelhas

Medida entrou em vigor em 18 de setembro e envolve produto à base de tiametoxam; unidades já comercializadas poderão ser utilizadas até o fim da validade.

Publicado em 23/09/2026 às 14:28 - do Idest, com informações do CGNews - Em Agronegócio

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(Wenderson Araujo/CNA)

A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) suspendeu o cadastro estadual do Engeo Pleno S, inseticida fabricado pela Syngenta e utilizado em lavouras de Mato Grosso do Sul. A medida passou a valer em 18 de setembro de 2026, após determinação publicada no Diário Oficial da União (DOU).

O produto contém tiametoxam, ingrediente ativo do grupo dos neonicotinoides, classe de inseticidas que está no centro de discussões ambientais devido aos possíveis impactos sobre abelhas e outros insetos polinizadores.

Tiametoxam é alvo de restrições

Em 2018, a União Europeia proibiu o uso ao ar livre de três neonicotinoides: tiametoxam, imidacloprido e clotianidina. A decisão foi baseada em avaliações de risco que apontaram possibilidade de danos às abelhas, especialmente em situações de exposição por néctar, pólen e deriva de pulverização.

Apesar das restrições adotadas na União Europeia, esses ingredientes continuaram autorizados em outros países, incluindo o Brasil, onde são utilizados em diferentes culturas agrícolas.

Produto já foi alvo de investigação

O Engeo Pleno S ganhou destaque nesse debate em 2021, quando uma investigação da Public Eye e da Unearthed apontou que produtos contendo neonicotinoides proibidos na Europa continuavam sendo exportados para países como o Brasil.

Na ocasião, o levantamento indicou que a Syngenta havia registrado a exportação de mais de 2,2 milhões de litros do Engeo Pleno S para o mercado brasileiro. O produto era apontado como um dos inseticidas mais vendidos pela empresa no país, com uso principalmente associado às lavouras de soja.

Na época, a Syngenta afirmou que seus produtos são seguros quando utilizados conforme as recomendações técnicas e que seguem as normas dos países onde são comercializados. A empresa também defendeu a importância dos defensivos agrícolas para evitar perdas na produção.

Suspensão não retira produto já comercializado

Em Mato Grosso do Sul, a suspensão determinada pela Iagro não significa a retirada imediata de todas as unidades do produto que já estejam no campo.

Conforme a portaria estadual, unidades que já haviam sido comercializadas ao usuário final antes de 18 de setembro de 2026 poderão continuar sendo utilizadas até o fim do prazo de validade.

A medida estadual ocorre em meio às discussões sobre os possíveis impactos dos neonicotinoides sobre abelhas e outros insetos polinizadores.