Farelo de soja e DDG de milho ganham espaço nas exportações e ampliam valor da produção de MS
Levantamento da Aprosoja/MS aponta aumento nos embarques de subprodutos e reforça potencial de industrialização dos grãos no Estado.

Mato Grosso do Sul vem ampliando a participação de produtos processados nas exportações do agronegócio. Levantamento da Aprosoja/MS aponta crescimento nos embarques de farelo de soja e DDG de milho em 2026, movimento que reforça o potencial de agregação de valor e industrialização dos grãos dentro do próprio Estado.
Produção impulsiona processamento
Mato Grosso do Sul consolidou-se entre os principais produtores agrícolas do país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na safra de 2025, o Estado ficou em quinto lugar na produção nacional de soja, com 13,1 milhões de toneladas, e em quarto lugar na produção de milho, com 13,8 milhões de toneladas.
Os gargalos de armazenamento e logística, que historicamente desafiam o setor, têm impulsionado o processamento dos grãos dentro do próprio Estado.
No caso da soja, o farelo é obtido após o esmagamento do grão para a produção de óleo, seguido de processos de tostagem e moagem. O produto apresenta alto teor proteico e é utilizado principalmente na alimentação animal.
Já o DDG (Dried Distillers Grains, ou grão seco de destilaria) é um subproduto da moagem, cozimento e fermentação do milho para a produção de álcool. O produto é rico em proteínas, fibras e gorduras.
Processamento agrega valor
Embora sejam classificados como subprodutos dos processos industriais, o farelo de soja e o DDG apresentam potencial de agregação de valor à produção agrícola.
Uma análise da Aprosoja/MS sobre as exportações de junho mostra que o grão de soja era comercializado a US$ 0,44 por quilo, enquanto o óleo bruto alcançava US$ 1,18 por quilo e o farelo, US$ 0,37 por quilo.
Considerando que cada quilo de soja rende aproximadamente 19% de óleo e 79% de farelo, o mesmo quilo do grão passa a valer cerca de US$ 0,51 quando processado. O resultado representa um ganho de US$ 0,07 por quilo em relação à comercialização do produto in natura.
Farelo de soja tem alta nos embarques
Os dados de exportação levantados pela Aprosoja/MS apontam aumento no volume de farelo de soja embarcado por Mato Grosso do Sul entre janeiro e junho de 2026, na comparação com os mesmos meses dos anos anteriores.
O movimento ganhou destaque em abril, maio e junho, quando os embarques ultrapassaram 100 mil toneladas.
Apesar do crescimento no volume, o preço médio do farelo segue a tendência de queda observada desde 2023. Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, esse comportamento pode representar uma oportunidade para o setor.
“A queda no preço médio, nesse caso, funciona como uma ferramenta para estimular a demanda pelo grão processado e acelerar a industrialização do setor no Estado. Preço mais competitivo significa mais mercado, e mais mercado significa mais investimento em processamento aqui dentro de Mato Grosso do Sul.”
DDG acompanha movimento
As exportações de resíduos de milho apresentam comportamento semelhante, embora em volumes menores. Os embarques de DDG por Mato Grosso do Sul também cresceram nos primeiros meses de 2026 em relação ao histórico recente, com pico registrado em abril.
O preço médio do produto, após recuar entre 2022 e 2024, apresentou recuperação em 2025 e permaneceu em patamar elevado em 2026.
A demanda internacional também contribui para ampliar o mercado dos subprodutos. Na Holanda, por exemplo, a reestruturação da cadeia pecuária, com redução do rebanho e aumento da produtividade para atender a normas ambientais mais rígidas, eleva a necessidade de uma alimentação animal mais rica em proteína. Outros países europeus também utilizam o farelo de soja como insumo na piscicultura.
“O setor que depende desses subprodutos vai demandar cada vez mais. É um mercado que está se tornando mais valorizado, e Mato Grosso do Sul tem todas as condições de ocupar um espaço maior nele”, avalia Linneu Borges Filho.
Estado amplia industrialização
O cenário aponta para uma mudança gradual no perfil da produção de Mato Grosso do Sul, com a transição de um Estado predominantemente gerador de matéria-prima para um produtor de itens processados.
De acordo com a análise, esse movimento beneficia a cadeia produtiva, contribui para o crescimento econômico e pode proporcionar maior estabilidade e previsibilidade ao mercado.
