Exportações de soja avançam em MS, enquanto milho ganha espaço no mercado interno

Estado embarcou 530,5 mil toneladas de soja em agosto, enquanto redução nas exportações de milho aponta para maior utilização do cereal pela indústria sul-mato-grossense.

Publicado em 11/09/2026 às 18:20 - do Idest - Em Agronegócio

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(Marcos Maluf/AprosojaMS)

As exportações de soja de Mato Grosso do Sul mantiveram desempenho positivo em agosto de 2026. O Estado embarcou 530,5 mil toneladas, volume 36,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. Em valores, as vendas externas alcançaram US$ 239,1 milhões, alta de 48,9% na comparação anual.

O desempenho ficou acima do registrado pelo Brasil no mesmo período, que apresentou queda de 3,2% no volume exportado e crescimento de 5% em valores.

Soja mantém China como principal destino

A soja continua entre os principais produtos da pauta exportadora sul-mato-grossense. A China permanece como principal destino, concentrando 81,2% das exportações do produto, seguida por Vietnã e Paquistão.

Apesar de agosto ter registrado redução de 43,1% no volume embarcado em relação a julho, o resultado acumulado na comparação anual permanece positivo.

“A soja continua apresentando um desempenho bastante relevante nas exportações de Mato Grosso do Sul, com crescimento superior ao observado no cenário nacional”, aponta o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.

Milho passa a abastecer mais o mercado interno

Enquanto a soja avança no comércio exterior, o milho apresentou forte redução nas exportações em agosto. Mato Grosso do Sul embarcou 100,1 mil toneladas, contra 498 mil toneladas no mesmo mês de 2025.

Em valores, os embarques caíram de US$ 99 milhões para US$ 21,7 milhões.

Segundo o boletim econômico da Aprosoja/MS, embora o milho apresente atraso no período de exportação, os dados também indicam uma mudança na dinâmica do cereal. Parte da produção passa a ser direcionada para processos de transformação dentro do próprio Estado, como matéria-prima para a indústria.

Na avaliação de Linneu, o movimento representa uma oportunidade de agregar valor à produção sul-mato-grossense.

“Parte da produção que antes poderia seguir diretamente para outros países passa a encontrar demanda em Mato Grosso do Sul, como matéria-prima para processos de transformação. Isso fortalece o mercado interno, movimenta a indústria e agrega valor à produção estadual”.

O cenário, segundo o analista, mostra a importância de observar os dados de exportação em conjunto com a evolução da atividade industrial.

“O milho está deixando de ser visto somente como um produto para exportação e passa a ocupar uma posição importante como insumo para a indústria. É um movimento positivo porque cria novas possibilidades de mercado para o produtor e aproxima a produção agrícola das cadeias de transformação que estão se desenvolvendo no Estado”, destaca.

Celulose lidera pauta exportadora

A mudança na dinâmica dos grãos ocorre em meio à diversificação da pauta exportadora de Mato Grosso do Sul.

Em agosto, a celulose assumiu a liderança entre os produtos exportados pelo Estado, com participação de 32,3% do total. Soja e resíduos ficaram na segunda posição, com 28%, seguidos pela carne bovina, com 15,5%.

Balança comercial registra superávit de US$ 801 milhões

O desempenho das exportações contribuiu para que Mato Grosso do Sul mantivesse saldo positivo na balança comercial. Em agosto, o Estado registrou superávit de US$ 801 milhões, resultado de US$ 978 milhões em exportações diante de US$ 176 milhões em importações.

Entre os produtos importados, o gás natural liderou, seguido por cobre e equipamentos industriais. A ureia apareceu na quarta posição, representando 3,2% das importações.

O boletim destaca que a presença do fertilizante entre os principais produtos importados sinaliza a busca do Estado por atender à demanda de insumos necessária à produção agrícola.