EUA reduz estoques de milho e cenário pode favorecer preços em Mato Grosso do Sul
Relatório do USDA aponta menor produtividade e estoques nos Estados Unidos, enquanto MS projeta queda de 20,1% na produção da segunda safra.

O mercado internacional de milho ganhou um novo fator de sustentação após o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgar o relatório WASDE de agosto, com estimativas para a safra 2026/2027. O documento, divulgado em 12 de agosto, apontou redução na produtividade norte-americana, nos estoques finais projetados e aumento na previsão de exportações.
O cenário internacional se soma à expectativa de uma produção menor de milho em Mato Grosso do Sul, onde a segunda safra 2025/2026 tem produção projetada em 11,139 milhões de toneladas, queda de 20,1% em relação ao ciclo anterior.
USDA reduz produtividade e estoques
A produtividade do milho nos Estados Unidos foi revisada de 183 para 180,7 sacas por acre entre os relatórios de julho e agosto.
Ao mesmo tempo, a estimativa de exportações subiu de 3,2 bilhões para 3,275 bilhões de bushels, enquanto os estoques finais recuaram de 1,790 bilhão para 1,653 bilhão de bushels.
O preço médio recebido pelos produtores norte-americanos também foi revisado, passando de US$ 4,40 para US$ 4,50 por bushel.
No mercado global, o estoque final projetado para a safra 2026/27 caiu de 275,26 milhões para 274,66 milhões de toneladas. Para o Brasil, o USDA reduziu de 11,10 milhões para 10,10 milhões de toneladas a previsão de estoques finais de milho para o próximo ciclo.
MS deve colher menos milho
Em Mato Grosso do Sul, dados da Aprosoja/MS e do Projeto SIGA-MS apontam área cultivada de 2,206 milhões de hectares na segunda safra 2025/26, aumento de 3% em relação ao ciclo anterior.
Apesar da expansão da área, a produtividade média está estimada em 84,2 sacas por hectare, queda de 22,4%. Com isso, a produção projetada é de 11,139 milhões de toneladas, 20,1% abaixo da safra anterior.
A colheita também segue em ritmo inferior ao registrado no mesmo período de 2025. No acompanhamento de 11 de agosto, o SIGA-MS apontava avanço de metade da área monitorada, 6,4 pontos percentuais abaixo do ritmo registrado no mesmo período do ano passado.
Chuvas irregulares, ventos fortes e ocorrências pontuais de granizo permanecem entre os fatores de atenção para o encerramento da colheita.
Mercado exige atenção na comercialização
Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, a combinação entre o cenário internacional e a menor oferta estadual merece atenção dos produtores no momento da comercialização.
“O que temos neste momento é uma combinação de fatores que tende a dar sustentação ao mercado do milho. De um lado, o USDA reduziu os estoques projetados nos Estados Unidos e no mercado mundial. Do outro, Mato Grosso do Sul deve colher uma safra menor, enquanto a colheita ainda está em andamento. Isso não significa que os preços necessariamente vão subir, mas cria um ambiente mais favorável para a sustentação das cotações e reforça a importância de o produtor acompanhar o mercado antes de definir suas estratégias de venda.”
Outro fator destacado pela Aprosoja/MS é o crescimento da demanda interna, impulsionado pela expansão da indústria de etanol de milho, que disputa a matéria-prima com o mercado exportador.
O Estado também enfrenta um déficit estrutural de armazenagem. Nesse cenário, a decisão de comercialização deve considerar a cotação internacional, o ritmo da colheita, a disponibilidade regional de armazenagem, a demanda das indústrias e as condições logísticas.
Soja apresenta cenário mais estável
Enquanto o milho apresenta sinais de maior sustentação, a soja segue em um cenário mais equilibrado.
O USDA manteve, em agosto, a projeção de 186 milhões de toneladas para a produção brasileira de soja na safra 2026/27 e de 118 milhões de toneladas para as exportações.
Nos Estados Unidos, a produção foi revisada de 4,475 bilhões para 4,519 bilhões de bushels, enquanto o aumento do esmagamento contribuiu para absorver parte da oferta adicional.
Em Mato Grosso do Sul, a safra 2025/2026 de soja foi encerrada com produção de 16,744 milhões de toneladas, crescimento de 19,1% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média estadual chegou a 60,40 sacas por hectare, alta de 16,6%.
Segundo a análise da Aprosoja/MS, sem um choque de oferta no mercado internacional, brasileiro ou estadual, o comportamento dos preços da soja no curto prazo tende a depender principalmente de fatores como câmbio, frete e ritmo das compras externas, especialmente da China.
O próximo relatório WASDE do USDA está previsto para 11 de setembro. Em Mato Grosso do Sul, novas atualizações do Projeto SIGA-MS devem acompanhar o avanço e o fechamento da colheita da segunda safra de milho nas próximas semanas.
