Expansão de usinas de etanol amplia mercado para o milho produzido em Mato Grosso do Sul

Indústria de etanol de milho cria nova alternativa de comercialização, movimenta a economia regional e aumenta a demanda pelo grão no Estado.

Publicado em 21/09/2026 às 15:07 - do Idest, com informações da Aprosoja/MS - Em Agronegócio

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(Divulgação Aprosoja/MS - arquivo)

A expansão da indústria de etanol de milho em Mato Grosso do Sul está mudando a dinâmica da cadeia produtiva de grãos e criando uma nova alternativa de comercialização para os produtores. Segundo estudo da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), a instalação das usinas fortalece a industrialização dentro do próprio Estado e amplia o mercado consumidor para o milho.

Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul cultivou mais de 2 milhões de hectares de milho, com produção de 13,9 milhões de toneladas. No mesmo período, aproximadamente 2 milhões de toneladas foram exportadas, enquanto as usinas passaram a absorver uma parcela crescente da produção estadual.

Três usinas estão em operação

Desde a instalação da primeira usina de etanol de milho, em 2022, o Estado ampliou sua capacidade de processamento. Atualmente, três unidades estão em operação, localizadas em Dourados, Sidrolândia e Maracaju.

Uma quarta unidade está em implantação em Nova Alvorada do Sul, com proposta de integrar a produção de etanol de milho à estrutura de uma usina de cana-de-açúcar.

Em âmbito nacional, o número de usinas de etanol de milho em operação passou de 18, em 2023, para 29 na safra 2025/2026. Mato Grosso do Sul responde por cerca de 20,9% da produção nacional, com estimativa de 2,128 bilhões de litros para a safra 2025/2026, ocupando a segunda posição entre os estados produtores.

Nova alternativa para comercialização

Para os produtores, um dos principais efeitos da expansão é a ampliação dos canais de comercialização. Em anos anteriores, a produção da segunda safra era direcionada principalmente para exportação e para as fábricas de ração.

“A instalação das usinas acrescenta um novo comprador de grande porte dentro do próprio estado, criando uma terceira alternativa de comercialização para o grão. Além disso, a proximidade entre as lavouras e as indústrias pode reduzir a distância percorrida pelo milho e, consequentemente, a exposição aos custos logísticos das operações de longa distância”, aponta o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.

Segundo levantamento citado no estudo, cerca de 80% da produção agrícola de Mato Grosso do Sul é transportada por rodovias. Em determinadas rotas de exportação, o custo do frete pode representar uma parcela significativa do valor do milho.

A comercialização para uma indústria instalada próxima à região produtora pode alterar essa composição logística.

Milho gera diferentes produtos

A verticalização da produção não se limita ao etanol. As usinas utilizam o milho no processo de moagem seca e obtêm diferentes produtos a partir do mesmo grão.

Além do etanol, são produzidos DDG ou DDGS, óleo de milho e CO₂ industrial. Os subprodutos atendem mercados como alimentação animal, indústria de alimentos, biodiesel e bebidas.

O DDG ganhou espaço na pauta de exportações de Mato Grosso do Sul. Em 2025, o Estado produziu 1,4 milhão de toneladas do produto, das quais 1,15 milhão de toneladas foram exportadas para países como Nova Zelândia, Turquia e Vietnã. Também foram registrados os primeiros embarques para a China.

Impacto na economia estadual

A expansão da indústria também amplia a participação do milho na economia de Mato Grosso do Sul. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária citados no estudo mostram que o grão apresentou alta de 88,1% no Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária estadual em 2025, passando a representar 16,8% do VBP.

A expansão das usinas também movimenta atividades ligadas à logística, armazenagem, manutenção industrial, prestação de serviços e fornecimento de insumos.

O setor sucroenergético de Mato Grosso do Sul, formado por usinas de cana e milho, está presente em 42 municípios e gera cerca de 33 mil empregos diretos.

No caso das novas plantas de milho, a construção da unidade de Nova Alvorada do Sul deve envolver aproximadamente 2 mil trabalhadores. Já a operação da unidade de Maracaju soma 150 empregos diretos e cerca de 600 indiretos.

Logística é desafio para expansão

O crescimento da capacidade industrial também aumenta a necessidade de infraestrutura para movimentação de grãos e dos produtos resultantes do processamento.

O estudo aponta a Rota Bioceânica como uma alternativa estratégica para os próximos anos, especialmente para o escoamento de produtos como o DDG para mercados asiáticos. A previsão é de que o corredor conecte Mato Grosso do Sul aos portos do Pacífico, no Chile, ampliando as possibilidades de acesso a mercados internacionais.

Ao mesmo tempo, o aumento da capacidade industrial eleva a demanda por milho. Conforme o estudo, a competição pelo grão entre as usinas de etanol e as fábricas de ração tende a aumentar com a entrada de novas plantas.

Nesse cenário, a expansão da produtividade e da oferta de milho passa a ser um dos pontos de atenção para acompanhar o crescimento da indústria.

Perspectiva para o setor

Com a expansão das plantas, Mato Grosso do Sul passou, em pouco mais de quatro safras, de nenhuma usina de etanol de milho em operação para a segunda posição entre os maiores produtores nacionais.

Para o produtor de grãos, o principal efeito econômico apontado pelo estudo está na diversificação dos canais de comercialização. Para o Estado, o avanço da indústria amplia a necessidade de infraestrutura e cria oportunidades para transformar uma parcela maior da produção agrícola dentro de Mato Grosso do Sul.