Emissões líquidas de poluentes do Brasil caem ao menor nível desde 2012

Dados do Observatório do Clima mostram redução de 9% nas emissões líquidas e de 6% nas emissões brutas em 2025.

Publicado em 21/10/2026 às 15:03 - Agência Brasil - Em Agronegócio

Imagem da notícia
(Marcelo Camargo/Agência Brasil - arquivo)

O Brasil emitiu 1,41 bilhão de toneladas líquidas de CO2 equivalente em gases de efeito estufa em 2025, uma redução de 9% em relação ao ano anterior e o menor nível desde 2012. Os dados fazem parte da 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), divulgada pelo Observatório do Clima nesta quarta-feira (21).

Sem considerar a remoção de carbono pela vegetação secundária e pelas áreas protegidas, as emissões brutas somaram 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em 2025. O resultado representa queda de 6% em relação aos 2,19 bilhões de toneladas registrados em 2024 e o menor volume bruto desde 2018.

Desmatamento influencia resultado

Segundo David Tsai, coordenador do Seeg e pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), os números mostram que o Brasil reduziu em um quarto as emissões brutas nos últimos quatro anos.

“É um feito digno de nota, dado que nos 13 anos anteriores, desde que publicou sua Política Nacional do Clima em 2009, o país viu suas emissões crescerem em dois terços”, afirmou.

A redução das emissões brutas foi influenciada principalmente pela queda do desmatamento, classificado pelo Seeg como mudança de uso da terra. O setor respondeu por 814 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2025, uma queda de 15% em relação às 957 milhões de toneladas registradas em 2024.

Quando considerados os valores líquidos do setor, a redução foi de 48%, passando de 311 milhões para 162 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Esse foi o menor valor da série histórica do Seeg para a área.

Emissões dos demais setores

As emissões brutas da agropecuária caíram 0,1% em 2025, para 626 milhões de toneladas de CO2 equivalente. O setor de energia teve alta de 1,2%, passando de 422 milhões para 427 milhões de toneladas.

Os processos industriais e o uso de produtos registraram aumento de 0,2% e mantiveram as emissões em 94 milhões de toneladas. Já o setor de resíduos teve a maior alta, de 3,6%, passando de 92 milhões para 96 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

A mudança de uso da terra representou 39% das emissões brutas do país em 2025. As emissões diretas da agropecuária responderam por outros 30%. Quando são consideradas também as emissões indiretas, a agropecuária se torna o maior setor emissor do país. A energia aparece em seguida, com 21%, enquanto processos industriais e gestão de resíduos responderam por 5% cada.

Brasil ficou próximo da meta climática

Com a redução registrada em 2025, o Brasil ficou a 85 milhões de toneladas de cumprir a meta climática prevista na primeira Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), apresentada em 2015. O compromisso estabelecia que o país limitaria as emissões líquidas a 1,32 bilhão de toneladas de CO2 equivalente em 2025.

“Infelizmente a gente ficou ainda um pouco acima, mas bem próximo da meta. Em 2030, tem uma meta mais baixa, mas em 2026 a gente vai estar entre a meta de 2025 e a de 2030”, avaliou Tsai.

Dados prévios divulgados pelo Observatório do Clima indicam emissão líquida negativa relacionada ao desmatamento em 2026, estimada em menos 24 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

A segunda NDC do Brasil, apresentada em 2025, estabeleceu para 2030 uma meta de redução das emissões nacionais para uma faixa entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO2 equivalente.

“É uma grande vitória a queda das emissões pelo desmatamento, mas se os outros setores, a partir de agora, não começarem a reduzir as suas emissões vai ficar difícil a gente conseguir cumprir as próximas metas da NDC”, alertou Tsai.