Chuvas afetam ritmo do plantio da soja em MS; região norte registra menos de 4,8% da área semeada

Levantamento da Aprosoja/MS aponta 26,6% da área estadual plantada até 9 de outubro; previsão indica possibilidade de chuvas irregulares e ondas de calor no centro-norte do Estado.

Publicado em 14/10/2026 às 21:44 - do Idest - Em Agronegócio

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(Divulgação Aprosoja/MS)

O plantio da soja para a safra 2026/2027 alcançou 26,6% da área estimada em Mato Grosso do Sul até 9 de outubro, o equivalente a aproximadamente 1,3 milhão de hectares. Na região norte do Estado, que inclui municípios como São Gabriel do Oeste, Coxim, Sonora, Rio Verde de Mato Grosso e Camapuã, o índice de semeadura ainda está abaixo de 4,8%, conforme levantamento do Projeto SIGA-MS, executado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), com recursos do Fundems/Semadesc.

Apesar de o percentual estadual estar cerca de 10 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período da safra anterior, as chuvas recentes reduziram temporariamente o ritmo das operações no campo. Segundo a Aprosoja/MS, os volumes de precipitação registrados ao longo da semana variaram de 1 a 225 milímetros em diferentes regiões do Estado, com efeitos distintos sobre as lavouras.

Região norte tem plantio menos avançado

O levantamento divulgado no Boletim Casa Rural — Agricultura, Circular 682/2026, aponta diferenças no avanço da semeadura entre as regiões produtoras de Mato Grosso do Sul.

Até 9 de outubro, a região sul apresentava a maior média de plantio, com 35,7% da área semeada. Na região centro, o índice era de 17,9%, enquanto a região norte permanecia abaixo de 4,8%.

A evolução das operações nas próximas semanas dependerá das condições climáticas e da possibilidade de retomada dos trabalhos no campo. O levantamento considera informações obtidas junto a produtores rurais, sindicatos e empresas de assistência técnica dos municípios acompanhados pelo projeto.

Excesso de chuva preocupa produtores

De acordo com o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, a distribuição das chuvas tem provocado impactos diferentes conforme as condições encontradas nas lavouras.

Na região centro, foram observados casos de selamento superficial do solo, condição que dificulta a emergência das plantas. Já na região sudeste, o excesso de precipitação tem provocado erosão laminar, com o carregamento da camada superficial do solo e das sementes, podendo exigir o replantio.

Até o momento, não é possível estimar a extensão dos prejuízos nem a área que poderá precisar de uma nova semeadura. A orientação técnica é avaliar as condições de cada talhão, observando o estande de plantas, a umidade do solo e a ocorrência de erosão antes de definir eventuais intervenções.

Previsão indica atenção para o centro-norte

O boletim também apresenta uma análise das condições climáticas de Mato Grosso do Sul. Segundo os dados do CEMTEC/SEMADESC, setembro registrou menores volumes de chuva nas regiões norte, pantaneira e leste/nordeste, com acumulados entre zero e 80 milímetros.

Entre os municípios com maiores déficits de precipitação em relação ao esperado no período estão Alcinópolis, Costa Rica, Figueirão e Pedro Gomes, conforme o levantamento meteorológico.

Para o período de 13 a 29 de outubro, a previsão apresentada no documento indica acumulados de chuva entre 30 e 80 milímetros nas regiões norte e noroeste do Estado, enquanto os maiores volumes são esperados principalmente nas regiões sul, sudoeste, central e sudeste. O boletim ressalta que as previsões para períodos superiores a três dias estão sujeitas a incertezas.

O documento também aponta influência do fenômeno El Niño, previsto com intensidade muito forte no trimestre de outubro a dezembro. Para o centro-norte de Mato Grosso do Sul, a perspectiva apresentada é de irregularidade nas chuvas e ondas de calor, condições que exigem atenção no planejamento das operações agrícolas.

Safra de soja tem previsão de produção menor

Para a safra 2026/2027, a estimativa estadual é de 4,874 milhões de hectares destinados à soja, aumento de 5,5% em relação ao ciclo anterior.

Apesar da ampliação da área cultivada, a produtividade média está estimada em 52,4 sacas por hectare, redução de 13,2%. A produção projetada é de 15,331 milhões de toneladas, volume 8,4% inferior ao da safra passada. Os números ainda podem ser ajustados conforme o avanço dos levantamentos técnicos.

Preços da soja e do milho em São Gabriel e Sonora

O boletim também apresenta as cotações agrícolas registradas entre 5 e 9 de outubro. Em São Gabriel do Oeste, o preço da saca de soja de 60 quilos passou de R$ 140,00 no dia 5 para R$ 137,00 no dia 9, uma queda de 2,14% no período.

Em Sonora, a cotação recuou de R$ 138,00 para R$ 135,00 por saca, desvalorização de 2,17%, a maior entre os municípios relacionados na tabela de preços da oleaginosa.

No mercado do milho, São Gabriel do Oeste manteve a cotação de R$ 53,00 por saca de 60 quilos durante o período analisado, sem variação entre os dias 5 e 9 de outubro.

No Estado, o preço médio da soja chegou a R$ 136,86 por saca em 9 de outubro, queda de 1,14% no período. Já o milho foi cotado, em média, a R$ 52,20 por saca, recuo de 2,73%.

O boletim ressalta que as cotações divulgadas não representam necessariamente os valores efetivamente recebidos pelos produtores, uma vez que a comercialização ocorre de forma gradual.

Colheita do milho segunda safra foi concluída na maior parte do Estado

A colheita do milho segunda safra 2025/2026 foi finalizada na maior parte de Mato Grosso do Sul até o fim de setembro. Apenas áreas pontuais nas regiões Sul-Fronteira e Sudoeste concluíram as operações no início de outubro.

A estimativa atual aponta produtividade média de 122,79 sacas por hectare, alta de 13,3% em relação ao ciclo anterior. Com área estimada em 2,206 milhões de hectares, a produção está projetada em 16,253 milhões de toneladas, crescimento de 16,7% em comparação com a safra 2024/2025.