Plano da China para reduzir importações de soja acende alerta para exportadores brasileiros

Estudo da Aprosoja/MS aponta que demanda chinesa pela commodity pode cair mais de 26% até 2035.

Publicado em 11/06/2026 às 16:21 - do Idest - Em Agronegócio

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(Divulgação Aprosoja/MS)

O plano da China de ampliar a produção doméstica de grãos e oleaginosas poderá alterar significativamente a dinâmica do mercado global de soja nos próximos anos. A avaliação consta no Informativo Econômico 05/2026, divulgado pela Aprosoja/MS, que projeta uma redução de 26,2% nas importações chinesas da commodity até 2035.

Segundo o estudo "O novo plano econômico chinês e seus possíveis impactos sobre a soja de Mato Grosso do Sul", elaborado pela equipe técnica da entidade com base nas projeções do relatório China Agricultural Outlook 2026-2030, a mudança tende a elevar a concorrência entre os principais países exportadores e aumentar a pressão por eficiência e competitividade.

Produção interna deve crescer na próxima década

De acordo com o levantamento, a produção chinesa de grãos deverá passar de 715 milhões de toneladas em 2025 para 753 milhões de toneladas em 2035.

O crescimento será impulsionado principalmente por ganhos de produtividade, adoção de biotecnologia, inteligência artificial, mecanização agrícola e melhorias na qualidade dos solos.

Ao mesmo tempo, a China projeta reduzir as importações de soja de 111,83 milhões para 82,55 milhões de toneladas no mesmo período, uma queda próxima de 30 milhões de toneladas.

A medida faz parte da estratégia do governo chinês para reduzir a dependência externa e fortalecer a capacidade de abastecimento interno.

Mercado tende a ficar mais competitivo

Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Flores Gimenes, a mudança não representa uma ameaça imediata às exportações brasileiras, mas sinaliza uma transformação estrutural do mercado internacional da soja.

"A China continuará sendo um dos principais compradores mundiais de soja, mas o ritmo de crescimento da demanda tende a desacelerar. Isso cria um ambiente mais competitivo para os exportadores, com menor potencial de valorização estrutural da commodity e maior sensibilidade aos níveis de estoques globais", afirmou.

Na avaliação do economista, a combinação entre o aumento da produção chinesa e a redução gradual das importações deverá intensificar a disputa entre os principais fornecedores globais, especialmente Brasil, Estados Unidos e Argentina.

Exigências devem ir além da produtividade

O estudo aponta que a competitividade dos exportadores dependerá cada vez mais de fatores além da produção agrícola.

"A competitividade passará a depender cada vez mais de fatores além da produtividade. Questões como rastreabilidade, conformidade ambiental, qualidade do produto, eficiência logística e gestão comercial tendem a ganhar peso nas negociações internacionais", destacou Raphael Flores Gimenes.

Além da expansão da produção agrícola, a estratégia chinesa prevê investimentos em agricultura de precisão, inteligência artificial, melhoramento genético e sistemas avançados de monitoramento das lavouras.

O país também pretende reforçar exigências relacionadas à segurança alimentar e aos padrões sanitários exigidos dos fornecedores internacionais.

Mudança será gradual

Apesar das projeções de queda nas importações, a Aprosoja/MS avalia que não há expectativa de redução abrupta das compras chinesas no curto prazo.

O informativo indica, porém, uma transição gradual para um mercado menos dependente do crescimento da demanda chinesa, cenário que exigirá maior adaptação dos países exportadores e reforça a importância de investimentos em competitividade ao longo da cadeia produtiva da soja.