Censo aponta potencial de expansão da suinocultura e interesse de produtores em MS

Levantamento ouviu 130 suinocultores e identificou potencial para ampliar a produção em mais de 500 mil animais no Estado.

Publicado em 07/10/2026 às 14:33 - do Idest, com Assessoria - Em Agronegócio

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(Divulgação Asumas)

A suinocultura de Mato Grosso do Sul conta, em 2026, com um diagnóstico inédito sobre o perfil dos produtores, estrutura produtiva, investimentos, tecnologia, sustentabilidade e principais desafios da atividade. O Censo da Suinocultura MS 2026, realizado pela Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (ASUMAS), ouviu 130 produtores, aproximadamente 40% dos suinocultores do Estado.

Realizado pela Hilles Consultoria em Agronegócio, o levantamento foi estruturado a partir de 70 perguntas e buscou identificar a capacidade instalada, os gargalos e as oportunidades de crescimento do setor.

Interesse em ampliar a produção

Um dos principais resultados é que 75% dos produtores entrevistados demonstraram interesse em ampliar a atividade.

O censo identificou potencial de expansão superior a 500 mil animais. As unidades de terminação concentram potencial para ampliar a produção em 346.258 animais, enquanto as propriedades de ciclo completo apresentam potencial de 124.550 animais.

Entre os produtores interessados em crescer, a disponibilidade de integradora aparece como principal desafio, citada por 57,28%. Na sequência estão mão de obra, com 16,50%, e crédito rural, com 12,62%.

Para o presidente da ASUMAS, Renato Spera, o levantamento permite transformar a experiência dos produtores em informações que podem orientar decisões e investimentos no setor.

Tecnologia e sustentabilidade

O diagnóstico também mostra a presença de tecnologias nas propriedades pesquisadas. Entre os participantes, 51,75% foram classificados com nível tecnológico alto, 42,11% com nível médio e 6,14% com nível baixo.

Entre as estruturas e tecnologias identificadas estão tratamento de dejetos, alimentação automatizada, fertirrigação, energia solar, climatização, biodigestores e sistemas de gestão.

O tratamento de dejetos está presente em 100% das propriedades pesquisadas. A alimentação automatizada aparece em 97,37% e a fertirrigação em 96,49%.

O levantamento também avaliou áreas disponíveis para aplicação de dejetos, planejamento agronômico, biodigestores e geração de energia.

Investimentos projetados

Entre os produtores entrevistados, 75% utilizam crédito rural, enquanto 25% não recorrem à modalidade.

Os investimentos projetados para ampliação das atividades chegam a R$ 286,5 milhões. Entre as aplicações previstas estão biometano, máquinas e equipamentos, energia solar, automação e biodigestores, além de investimentos relacionados à expansão e modernização das propriedades.

Perfil e sucessão familiar

O censo também analisou o perfil dos produtores, mão de obra, sucessão familiar, qualificação e gestão.

A maior parcela dos entrevistados está na faixa entre 51 e 60 anos, que representa 34,21%. Produtores acima de 60 anos correspondem a 24,56%, enquanto aqueles entre 41 e 50 anos representam 20,18%.

Em relação à sucessão familiar, 66,67% afirmaram ter o processo planejado, enquanto 15,32% disseram que está parcialmente planejado e 18,02% não possuem planejamento.

Nas propriedades pesquisadas, 89,47% dos trabalhadores são contratados pelo regime CLT e 10,53% correspondem à mão de obra familiar.

Segundo Gabriela Hillesheim, representante da Hilles Consultoria, a participação dos produtores foi um dos destaques do levantamento, com envolvimento na construção do diagnóstico sobre a realidade e os próximos passos da atividade em Mato Grosso do Sul.