Cascudinho-da-soja preocupa produtores da região norte de MS no início da safra

Praga pode atacar folhas e caules de plantas jovens, provocar a morte da soja e exigir replantio; Aprosoja/MS recomenda monitoramento desde a emergência da cultura.

Publicado em 15/10/2026 às 17:13 - do Idest - Em Agronegócio

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A presença do cascudinho-da-soja (Myochrous armatus) tem preocupado produtores rurais da região norte de Mato Grosso do Sul nas últimas safras. Com o início do ciclo 2026/2027, a atenção à praga é necessária desde a emergência das plantas, período em que a cultura está mais vulnerável aos danos provocados pelo inseto.

“Isso incomoda muito todo mundo, há alguns anos. Se não cuidar, destrói tudo, e é muito difícil seu controle”, relata Eduardo Introvini, diretor da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) e produtor rural da região norte do Estado.

De acordo com o Informativo Técnico 05/2026 da entidade, a ocorrência do cascudinho-da-soja é relatada principalmente na região centro-norte de Mato Grosso do Sul, com registros também na região sul. Detectada no Estado na safra 2017/2018, a praga pode comprometer o desenvolvimento da lavoura ainda nos primeiros estádios da cultura.

Ataques podem comprometer plantas jovens

Os danos são provocados pelos insetos adultos, que se alimentam de partes da planta, incluindo as primeiras folhas e o caule. Os ataques mais intensos ocorrem entre a emergência da soja e aproximadamente 25 dias após essa fase, durante o início do desenvolvimento vegetativo.

Em situações de infestação severa, as plantas podem tombar e morrer, tornando necessário o replantio das áreas afetadas.

Outro fator que dificulta o controle é a localização do inseto na lavoura. Os adultos podem permanecer nas folhas e na palhada, o que torna a identificação mais difícil e exige atenção durante as inspeções.

Monitoramento deve começar na emergência

Segundo o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, o acompanhamento da lavoura deve começar assim que as plantas emergirem, para permitir a identificação precoce de possíveis ataques.

“Os primeiros dias de desenvolvimento da soja são fundamentais para a formação de um estande adequado. Por isso, o produtor precisa monitorar a lavoura desde a emergência, identificando possíveis sinais de ataque e buscando orientação técnica para definir as medidas de manejo”, destaca.

A recomendação da entidade é realizar o monitoramento constante das áreas cultivadas, seguindo os princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Após a emergência, o uso do pano de batida pode auxiliar na identificação do cascudinho-da-soja.

Manejo inclui tratamento de sementes e controle de plantas hospedeiras

Entre as medidas indicadas estão o tratamento de sementes com inseticidas registrados para a praga e, conforme a necessidade identificada durante o monitoramento, a realização de aplicações foliares.

A Aprosoja/MS também destaca a importância do manejo das plantas hospedeiras do inseto. Entre as espécies relatadas estão o amendoim-bravo, a braquiária e o milho tiguera.

Nesse contexto, a dessecação pré-semeadura, quando realizada de forma eficiente, pode contribuir para reduzir as populações iniciais do cascudinho-da-soja e auxiliar no manejo da praga durante o desenvolvimento da cultura.