Alta da arroba chega ao consumidor e carne bovina acumula reajuste de até 11,7% em 2026

Arroba do boi gordo passou de R$ 296,71 para R$ 332,68 em um ano, enquanto o grupo carnes acumula inflação de 8,71% em 12 meses.

Publicado em 06/08/2026 às 12:44 - do Idest, com informações do Correio do Estado - Em Agronegócio

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(Gerson Oliveira / Correio do Estado)

A valorização da arroba do boi gordo voltou a pressionar os preços da carne bovina em Mato Grosso do Sul, onde cortes tradicionais ficaram até 14,05% mais caros em um ano, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O movimento é atribuído à menor oferta de animais para abate, ao fortalecimento das exportações e à formação de preços ao longo da cadeia de comercialização.

Levantamento da Granos Corretora aponta que a arroba do boi gordo passou de R$ 296,71 em segunda-feira (4) de agosto de 2025 para R$ 332,68 após um ano. Em relação ao início de 2026, quando a cotação era de R$ 305,35, a alta acumulada chega a 8,9%.

Alta chega ao consumidor

Embora a valorização da arroba não seja repassada automaticamente ao consumidor, ela representa o principal custo da matéria-prima para a indústria frigorífica. À medida que os frigoríficos renovam estoques e negociam com distribuidores e redes varejistas, o reajuste chega às gôndolas.

Os dados do IPCA mostram que o grupo carnes acumula inflação de 7,61% em 2026. Entre os principais cortes, a ponta de peito lidera os aumentos, com alta de 11,73%, seguida por paleta, costela, coxão mole e contrafilé. Em 12 meses, o contrafilé registra o maior reajuste, de 14,05%, seguido pela ponta de peito, com 12,86%; pela paleta, com 12,44%; pelo coxão mole, com 11,28%; e pela costela, com 6,68%. No período, o conjunto das carnes acumula inflação de 8,71%.

Oferta menor sustenta arroba

Boletim técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) atribui a valorização da arroba à combinação de oferta mais restrita de animais e demanda aquecida. O relatório aponta que a arroba do boi gordo alcançou R$ 330,67 em julho, com valorização de 8,3% na comparação anual.

Segundo a análise, a demanda em boas condições contribui para a manutenção dos preços, enquanto o desempenho das exportações sustenta o mercado ao absorver parte da oferta disponível no mercado interno. “No ano de 2026 a oferta de animais está menor e garante condições para a boa precificação da arroba”, afirma o boletim.

Mesmo com o aumento pontual do número de animais enviados ao abate em junho, o acumulado do primeiro semestre ainda aponta retração. Dados da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) indicam que Mato Grosso do Sul abateu 2,08 milhões de bovinos entre janeiro e junho, queda de 1,6% em relação ao mesmo período de 2025.

Exportações reduzem oferta interna

No primeiro semestre de 2026, Mato Grosso do Sul exportou US$ 1,42 bilhão em carnes, crescimento de 40% na comparação com o mesmo período do ano passado. O produto respondeu por 25,1% de toda a receita das exportações do agronegócio estadual e se consolidou como a segunda principal pauta do setor.

Para o mestre em Economia Eugênio Pavão, o avanço dos preços está ligado ao perfil exportador do Estado. Segundo ele, a carne bovina é uma das principais fontes de geração de divisas de Mato Grosso do Sul, e o aumento das vendas externas reduz a disponibilidade do produto no mercado interno.

“A carne é uma das principais fontes de recursos do exterior para Mato Grosso do Sul. Mesmo diante das restrições impostas por alguns mercados, como as cotas da China, e por estar entre os produtos isentos da taxação americana, o setor continua fortemente voltado às exportações”, afirma.

Na avaliação do economista, quanto maior o volume destinado ao mercado internacional, menor tende a ser a oferta para o consumidor brasileiro. “A oferta internacional representa uma redução da oferta interna e isso acaba contribuindo para o aumento dos preços no varejo”, diz.

Repasse ocorre de forma gradual

Pavão explica que a alta da arroba não chega imediatamente ao consumidor porque a carne passa por diferentes etapas até chegar às prateleiras. O produtor rural vende aos frigoríficos, que encaminham o produto a grandes distribuidores antes da chegada a supermercados, açougues e restaurantes.

Em cada etapa, custos, margens e negociações influenciam a formação do preço final. Também interferem nesse processo a concorrência, os estoques de carne congelada e outros fatores financeiros.

O economista afirma que os preços costumam subir rapidamente e cair de forma mais lenta. “Os preços sobem de elevador, mas descem de escada”, resume. Segundo ele, os aumentos de custos de produção ou da matéria-prima tendem a ser repassados quase imediatamente, enquanto as reduções são absorvidas gradualmente pela cadeia.

A perspectiva do setor é de manutenção dos preços em níveis elevados nos próximos meses, especialmente se a oferta de animais continuar limitada e o ritmo das exportações permanecer alto. Oscilações podem ocorrer no segundo semestre, mas analistas avaliam que dificilmente haverá redução expressiva no preço da carne no curto prazo, diante dos custos elevados e da demanda consistente.