Aprosoja/MS identifica lesmas e caracóis nas regiões Norte, Sul e Oeste e orienta produtores sobre prevenção de danos

Informativo técnico da Aprosoja/MS orienta produtores sobre a identificação das pragas, os danos às plântulas e as estratégias de manejo na safra 2026/2027.

Publicado em 20/10/2026 às 21:13 - do Idest - Em Agronegócio

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(Divulgação Aprosoja/MS)

A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) identificou a ocorrência de lesmas e caracóis em lavouras das regiões Norte, Sul e Oeste do estado durante a safra 2026/2027. A entidade alerta para a necessidade de monitoramento desde a semeadura, especialmente nas fases de germinação e emergência da soja, quando os danos podem comprometer o estabelecimento da lavoura.

De acordo com o Informativo Técnico 07/2026, as principais espécies registradas em lavouras de grãos no estado são o caracol Drymaeus interpunctus e a lesma Sarasinula linguaeformis. Ambos podem causar danos às plantas, principalmente no início do desenvolvimento da cultura.

Segundo o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, essa fase exige atenção porque as plantas ainda estão em desenvolvimento e apresentam capacidade limitada de recuperação diante de danos intensos.

“O ataque pode comprometer o estabelecimento da lavoura e reduzir a população de plantas por hectare”, alerta.

Umidade e palhada favorecem a ocorrência

Lesmas e caracóis preferem ambientes úmidos e sombreados. A atividade desses organismos tende a aumentar após as chuvas, em períodos de umidade elevada e temperaturas amenas.

Durante o dia, podem permanecer abrigados sob a palhada, em fendas no solo, sob torrões e entre restos culturais, saindo principalmente ao entardecer e durante a noite.

A cobertura do solo, comum no sistema de plantio direto, pode oferecer abrigo e proteção contra a radiação solar e predadores. Entretanto, a presença de palhada ou de condições ambientais favoráveis não significa necessariamente que haverá infestação. A ocorrência e a intensidade dos danos variam entre talhões e safras.

Os principais danos atingem folhas jovens, cotilédones e hastes. O consumo dos tecidos vegetais provoca lesões irregulares, raspagens e destruição parcial ou total das estruturas, podendo causar tombamento e morte das plantas.

Em situações de infestação elevada, a perda de plantas pode comprometer o estande e, em casos severos, levar à necessidade de replantio. Populações elevadas de caracóis também podem persistir durante o ciclo da cultura e causar problemas na colheita, como embuchamento das colheitadeiras, maior desgaste das máquinas e mau cheiro no ambiente.

Como monitorar a lavoura

A recomendação técnica é iniciar as avaliações desde a semeadura, com atenção especial às áreas que apresentaram ocorrência nas safras anteriores.

O produtor deve observar a cobertura do solo e afastar a palhada e os torrões para procurar os organismos, ovos e trilhas de muco. Nas plantas, é importante verificar cotilédones, folhas e hastes em busca de sinais de raspagem ou consumo dos tecidos.

As avaliações ao entardecer ou à noite podem facilitar a localização das pragas, devido ao aumento da atividade nesses períodos.

Segundo o informativo, ainda não existe consenso na literatura científica sobre um nível de ação específico para lesmas e caracóis. Por isso, a decisão sobre o controle deve considerar a intensidade dos danos, a população de plantas remanescente, o estádio de desenvolvimento da cultura e a persistência das condições favoráveis.

Manejo integrado ajuda a reduzir danos

O controle dessas pragas é desafiador porque elas podem se alimentar por períodos prolongados, utilizar diferentes fontes de alimento e permanecer abrigadas sob a cobertura do solo. Por isso, o manejo integrado de pragas (MIP) é a abordagem recomendada.

A rotação de culturas pode contribuir para reduzir as populações. O informativo também destaca a conservação de inimigos naturais, como aves, mamíferos, anfíbios, répteis, bactérias e insetos predadores, entre as estratégias de manejo.

Em situações de populações elevadas, as iscas estão entre os métodos utilizados pelos produtores. Conforme o Informativo Técnico 07/2026, o fosfato férrico é apontado como ingrediente ativo registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para o controle de lesmas e caracóis na agricultura.

A escolha do produto deve respeitar o registro vigente e as orientações de uso indicadas no rótulo e na bula. As iscas devem ser distribuídas sobre o solo, próximas às plantas que precisam ser protegidas, sem incorporação. A aplicação no final da tarde favorece o contato com os organismos durante o período de maior atividade.

Em áreas com histórico de ocorrência, o informativo indica que a aplicação logo após a semeadura pode ajudar a proteger as plântulas durante a emergência. O consumo rápido das iscas pode indicar uma população elevada e a necessidade de reavaliar a área para verificar se há necessidade de reaplicação, sempre conforme as orientações do produto.

Monitoramento desde a semeadura

A Aprosoja/MS reforça que o acompanhamento frequente da lavoura permite identificar os primeiros sinais de ataque e orientar a tomada de decisão. A identificação correta das espécies, a avaliação dos danos e o monitoramento das condições da área ajudam o produtor a definir as medidas mais adequadas para cada situação.

A entidade destaca que o monitoramento contínuo é fundamental para identificar precocemente a ocorrência de lesmas e caracóis, reduzir o risco de perdas no estabelecimento da soja e contribuir para a formação adequada do estande na safra 2026/2027.